Thesis by Felipe Gall
Anatomia do Cômico é uma investigação filosófica acerca daquela experiência que nos é tão familia... more Anatomia do Cômico é uma investigação filosófica acerca daquela experiência que nos é tão familiar, ao mesmo tempo em que nos é tão misteriosa, que é a percepção de algo cômico, algo que nos faz rir. Tendo como posição prévia o postulado de que não é possível formular uma definição conceitual exaustiva do cômico, buscou-se, ao invés disso, delimitar o seu horizonte em quatro aspectos possíveis, a saber: o moral, o retórico, o melancólico e o grotesco. Para tanto, partiu-se de uma análise dos corpora platônico e aristotélico, onde se investiga o modo como o cômico, a comédia e o riso foram tematizados nas obras destes autores, e de que maneira o problema do cômico dialoga com outras questões e se insere na organização de seus pensamentos. Verse -á, a partir dessas análises e das profundas intuições desses filósofos, que tanto a noção de senso comum, tal como elaborada nesta tese, quanto a estranha condição ontológica do ser humano, que vacila entre o espiritual e a animalidade, são as peças-chave para se pensar os diversos aspectos do cômico supramencionados.
Papers by Felipe Gall
Filosofia Antiga, 2026
É inevitável, ao tratar do tema da comédia em Aristóteles, que se faça, a todo momento, comparaçõ... more É inevitável, ao tratar do tema da comédia em Aristóteles, que se faça, a todo momento, comparações com a tragédia, ou mesmo que a tome como paradigma. A razão disso é evidente: possuímos o tratado aristotélico sobre a arte poética que prioriza as considerações sobre a tragédia, ao passo que não nos foi conservada a suposta parte perdida deste tratado que versaria sobre a comédia; e, ao que tudo indica, a comédia teria mesmo um estatuto inferior (Aristóteles, Poética, 1449a38-40), o que justificaria o caráter paradigmático da tragédia ainda assim. Talvez uma analogia que ilustre tal concepção seja a do macaco em relação ao homem, no sentido daquele fragmento de Heráclito citado por Platão: "o mais belo macaco é feio quando comparado ao gênero humano" (Heráclito, fr. LXXXII). Por conseguinte, subentendia-se, de modo geral, que a definição aristotélica de comédia deveria ser um espelho da definição de tragédia que nos foi legada. Tal ponto de partida é compreensível, uma vez que comédia e tragédia são espécies de um mesmo gênero, a saber,
O que nos faz pensar, 2026
Who is the Athenian Stranger in Plato's Laws? Few commentators asked themselves this question, as... more Who is the Athenian Stranger in Plato's Laws? Few commentators asked themselves this question, as if it were an irrelevant fact. However, as this is Plato's only dialogue without the presence of Socrates, it must be an important question. Therefore, my aim in this article will be to put forward a hypothesis about the identity of the Athenian Stranger in the Laws which, if true, will enable a whole new reading of the dialogue. To this end, the article will be divided into two parts: in the first part, I will present the only two proposals that I have been able to find about the identity of the Athenian Stranger among the few commentators who have even posed this question; in the second part, I will present my own hypothesis, trying to show how there is a series of dramatic details in the dialogue that corroborate it, as well as developing the hermeneutical consequences that result from accepting it.
Os Clássicos e o Teatro: outrora e agora, 2026
According to the controversial concept developed by F. Nietzsche in The Birth of Tragedy, Euripid... more According to the controversial concept developed by F. Nietzsche in The Birth of Tragedy, Euripides was responsible for the death of tragedy, since he "Socratized" it, rationalizing the Dionysiac dimension that was its very essence. Aristophanes was undoubtedly a valuable source for the philosopher in order to support the rapprochement between Socrates and Euripides. The comedian was considered by Nietzsche to be a powerful expression of the Dionysiac element, listed alongside Aeschylus in this regard, evoking the poetic dispute in Frogs. However, the aim here is to show that Aristophanes is much closer to Euripides than to Aeschylus and that, by analyzing Aristophanes' poetic technique from the Nietzschean conceptual background, one can hypothesize that, analogously, Aristophanes was responsible for the death of comedy.
Admar Costa; Cristiane Almeida de Azevedo (Org.). O Pensamento Antigo à Luz do Amanhã, 2024
Archai, 2024
Resumo: O objetivo deste artigo é o de mostrar a importância dramática da tese platônica sobre o ... more Resumo: O objetivo deste artigo é o de mostrar a importância dramática da tese platônica sobre o cômico no interior da própria economia dos diálogos. A hipótese condutora será a de que a concepção que Platão desenvolve sobre o cômico ou ridículo, especialmente no Filebo, confunde-se com a própria caracterização da personagem Sócrates e com o seu modo de filosofar. Por conseguinte, o que se pretende demonstrar é que a figura de Sócrates, que, enquanto personagem de Platão, é a encarnação do paradigma de vida filosófica por excelência, torna manifesto pela sua própria dramatização nos diálogos a natureza mesma do cômico segundo a conceituação platônica.
Nuntius Antiquus, 2024
Resumo: A proposta deste artigo é a de defender a hipótese de que a poética de Luciano de Samósat... more Resumo: A proposta deste artigo é a de defender a hipótese de que a poética de Luciano de Samósata, que tem como critério a noção de pura liberdade composicional e temática, tem como consequência uma pura liberdade também em relação ao riso. Luciano conceituará sua poética como uma mistura harmônica entre comédia e diálogo filosófico. Ora, mas Platão também se apropriou de vários elementos da comédia na composição de seus diálogos, além de defender uma tese sobre o ridículo que parece se confundir com a própria prática socrática, desempenhando, pois, importante papel dramático. De modo a esclarecer a diferença quanto a questão do riso nesses dois autores, o artigo será dividido em duas partes: na primeira, apresentar-se-á a tese que Platão desenvolve no Filebo sobre o ridículo, procurando demonstrar os usos críticos do riso em seu pensamento de modo geral; na segunda parte, por sua vez, discutir-se-á o estatuto da poética luciânica, de modo a tornar visível a maneira como Luciano vira do avesso a relação entre filosofia e comédia que teria sido estabelecida por Platão, libertando o riso da clausura da gravidade filosófica.
doispontos:, 2024
Resumo: Em meio à chamada "virada biológica" dos estudos aristotélicos, seguiremos a hipótese lev... more Resumo: Em meio à chamada "virada biológica" dos estudos aristotélicos, seguiremos a hipótese levantada por alguns comentadores de que a Poética de Aristóteles partilha do modelo biológico que seria estrutural de seu pensamento, o que implica que também a poesia possuiria uma "história natural". Sendo assim, o propósito deste artigo é o de pensar a comédia a partir deste paradigma. O texto dividir-se-á em duas partes principais: primeiramente, apresentaremos evidências que corroboram a hipótese de que a Poética foi escrita a partir de tal modelo biológico e, por conta disso, deve ser lida tendo isso como pano de fundo. Em segundo lugar, aplicaremos esse modelo de pensamento à comédia, de modo a conjecturar o que seria plenamente a arte cômica numa perspectiva aristotélica.
GT Filosofia Antiga, 2024
Poesia eu nunca fiz bebendo leite, Comédia eu não criei bebendo chá. Eu sou dionisíaco, me respei... more Poesia eu nunca fiz bebendo leite, Comédia eu não criei bebendo chá. Eu sou dionisíaco, me respeite, Só bêbado começo a trabalhar. Zecratino Pagodinho 1 Introdução A Comédia Antiga padeceu de um destino mais trágico do que a tragédia. Por mais que a imensa maioria das peças de tragédia tenham sido perdidas, ao menos contamos com algumas de cada um dos três grandes tragediógrafos consagrados pela tradição-a saber, Ésquilo, Sófocles e Eurípides-, o que nos permite apreciar minimamente as peculiaridades da composição poética de cada um deles. Da trindade de comediógrafos afamada como um espelhamento da trindade trágica aludida acima, que seria constituída por Cratino, Êupolis e Aristófanes 2 , só este último conta com peças supérstites, como é sabido. De Cratino e Êupolis temos numerosos fragmentos, mas pouco contextualizados no geral, com algumas notáveis exceções. Sendo assim, estudar Cratino já se mostra uma tarefa complicada a priori. Contudo, a principal dificuldade de um tal estudo não é bem a lida com os fragmentos, e sim aquilo que Bakola (2010, p. 6 s.) chamou de 1 Doutor em Filosofia pela PUC-Rio. Professor adjunto do Departamento de Filosofia da UERJ.
Boletim de Estudos Clássicos, 2023
Aristóteles é o autor da famosa afirmação de que o ser humano é o único animal que ri. Entretanto... more Aristóteles é o autor da famosa afirmação de que o ser humano é o único animal que ri. Entretanto, ao menos em sua obra supérstite, ele não oferece nenhuma explicação para o porquê disso, limitando-se a usar o riso a título de exemplo para outras funções fisiológicas. Desse modo, o objetivo deste artigo é, a partir dessas asserções esparsas sobre o riso, propor uma hipótese explicativa deste fenômeno segundo o modo de pensar aristotélico.
O que nos faz pensar, 2022
Our aim in this article is to illuminate the relevance and the density of the political performan... more Our aim in this article is to illuminate the relevance and the density of the political performance of the protagonist Lysistrata in the homonymous play by Aristophanes. To do so, we will explain the assumptions of the sexual elements that permeate the lucid political tactics that this character puts into operation throughout the play. Such operation will be made in three steps. In a first moment, we will list the images-not by chance almost always sexual and sexualized-of the feminine in the play. In a second section, we will analyze what the parallelism abundantly explored by Aristophanes between the famous sex strike practiced by young married women and the occupation of the Acropolis carried out by older women means, in terms of sexual politics. Finally, we will seek to present an interpretation for the meaning of the interventions proposed and led by Lysistrata in terms of the social conditions of the historical context in which the play is set. We will conclude by developing a parallel between feminine and comic inclinations, which can only be fully realised in a peaceful environment.
Translations by Felipe Gall
Estudos Hum(e)anos, 2021
(1803-1882) foi um filósofo, ensaísta, conferencista e poeta estadunidense. Nascido em Boston, Ma... more (1803-1882) foi um filósofo, ensaísta, conferencista e poeta estadunidense. Nascido em Boston, Massachusetts, Emerson graduou-se em Harvard, onde estudou história, retórica, grego e latim, tendo logo depois estudado teologia e sido ordenado pastor. Com a morte de sua primeira esposa, Ellen Tucker Emerson, que faleceu em 1831 contando apenas 19 anos, Emerson abandona a vida religiosa e viaja para a Europa, onde ele conhecerá figuras intelectuais importantíssimas, como Wordsworth, Coleridge, John Stuart Mill e Thomas Carlyle. Voltando a Massachusetts, Emerson recebe uma herança considerável do patrimônio de Ellen e compra uma casa em Concord, ainda hoje conservada e aberta à visitação. Foi lá que Emerson viveu com sua segunda esposa, Lidian Jackson, como também foi lá que ele escreveu boa parte de sua obra. Emerson e Lidian tiveram três filhos: Waldo, Ellen e Edith; Waldo morreu de escarlatina com apenas 5 anos de idade, em 1842. Em decorrência disso, Emerson escreveu o poema Trenodia e o ensaio Experiência; neste mesmo ano, Emerson tornou-se padrinho de William James, que viria a se tornar um dos maiores filósofos estadunidenses. Emerson dedicou o resto de sua vida à carreira de conferencista e escritor, tendo se tornado um dos mais importantes intelectuais públicos dos Estados Unidos. Emerson morreu em 1882, após ter contraído pneumonia; seu corpo está enterrado no Cemitério Sleepy Hollow, em Concord. Emerson foi o principal representante do movimento intelectual conhecido por transcendentalismo americano, que propunha um renascimento intelectual acompanhado de O texto original para consulta pode ser encontrado aqui:
Books by Felipe Gall
Imprensa da Universidade de Coimbra, Coimbra, v. 1, 594p., 2026
Na primeira parte, marcam presença os mitos de Antígona, Medeia e Héracles, além dos que poderíam... more Na primeira parte, marcam presença os mitos de Antígona, Medeia e Héracles, além dos que poderíamos englobar sob as legendas "mito troiano" e "mito tebano". Pontualmente, a consideração das peças fragmentárias amplia o horizonte. A comédia grega e latina é também merecedora de diversos estudos, em que o teatro de Aristófanes e de Plauto têm destaque. Platão, um notável espectador e testemunho de uma leitura 'a quente' da produção dramática sua contemporânea, tem lugar numa reflexão em que o público é um pressuposto incontornável. A segunda parte do volume constitui-se de um conjunto expressivo de estudos de receção, abarcando um lapso de séculos, que vai do XVI à contemporaneidade. De acordo com a origem diversificada dos autores, esses estudos dizem sobretudo respeito à Europa e América Latina. A proximidade dos diversos estudiosos que participam neste volume com a realidade geográfica e cultural em que as reescritas em análise foram produzidas é uma garantia da capacidade de produzir um enquadramento essencial à compreensão das variantes nelas envolvidas. Por outro lado, a sua identidade académica justifica que a abordagem, além de literária, seja também dramática e cénica. Por fim, dois capítulos são dedicados ao modo como o nosso mundo, totalmente rendido aos meios informáticos, tem aberto os novos canais de inventariação, registo, confronto e análise, ao estudo dos Clássicos. E uma vez mais, como sempre, os 'velhos' textos têm sido capazes de afirmar a sua incrível versatilidade. Dentro do que se foi tornando já uma rotina, o projeto CLASTEA (Teatro Clássico) teve a sua sétima edição no Rio de Janeiro, em finais de 2024. Seguindo o programa estipulado por esta iniciativa, o último encontro reuniu especialistas focados no Teatro Greco-Latino e sua Receção, sendo a interdisciplinaridade, como sempre, uma regra. Estudiosos das áreas dos Estudos Clássicos, dos Estudos Literários, dos Estudos e da Pragmática Teatral, da Filosofia, da História, cobrindo uma vasta área geográfica, cooperaram numa leitura a que o próprio potencial dos antigos textos dramáticos e sua reescrita convidam. Voltar à análise dos Clássicos Greco-Latinos será sempre ir em busca de novidade na tradição. Porque, se o corpus disponível é, em boa parte, constante, a leitura que em cada novo momento histórico se faz dele será sempre inédita e atualizada. A época em que vivemos não nos tem poupado a crises e imprevistos. Guerras, instabilidade política, degradação da natureza, decadência social e económica, são marcas que identificam estas três décadas do séc. XXI. Em todas estas experiências há uma mescla de novidade -os contextos mudam, os agentes dos acontecimentos tambéme repetição, na medida em que lhes subjaz a perenidade de certas tendências humanas. O bordão dos clássicos continua a render-nos: quid humanum nunquam alienum. A partir dos textos antigos, muitos outros, ao longo de milénios, reinterpretaram, reescreveram, reformularam o repertório teatral legado pela Antiguidade, em uma dinâmica de absorção e revisão, por vezes de crítica e subversão. Também eles nos merecem uma atenção permanente. Sobretudo temos a consciência de que não se esgotam, estão em permanente processo de renovação, exigem a nossa atenção e empenho hermenêutico. No preciso momento em que lemos estas linhas, que contêm um desafio a interesses comuns, alguém estará a pôr um ponto final em mais alguma Antígona, Medeia, Penélope, Clitemnestra ... O livro que agora apresentamos contém os resultados desse VII CLAS-TEA. De modo coerente com os propósitos do projeto, está dividido em duas partes, a primeira dedicada à Antiguidade e a segunda à Receção. Na primeira parte, marcam presença aqueles que são os mitos de referência na tragédia, detentores de uma visibilidade particular pela insistência com que foram retomados, os de Antígona, Medeia e Héracles, além dos que poderíamos englobar sob as legendas "mito troiano" e "mito tebano".
Interviews by Felipe Gall
Alter, 2019
Entrevista realizada na Casa Cavé, centro do Rio de Janeiro, em 13/06/2019, por Felipe Ramos Gall... more Entrevista realizada na Casa Cavé, centro do Rio de Janeiro, em 13/06/2019, por Felipe Ramos Gall e Irlim Corrêa Lima Junior. Marcia optou por se sentar na mesa ao lado da placa dedicada a Oswald de Andrade.
Co-authorship by Felipe Gall
Our aim in this article is to illuminate the relevance and the density of the political performan... more Our aim in this article is to illuminate the relevance and the density of the political performance of the protagonist Lysistrata in the homonymous play by Aristophanes. To do so, we will explain the assumptions of the sexual elements that permeate the lucid political tactics that this character puts into operation throughout the play. Such operation will be made in three steps. In a first moment, we will list the images-not by chance almost always sexual and sexualized-of the feminine in the play. In a second section, we will analyze what the parallelism abundantly explored by Aristophanes between the famous sex strike practiced by young married women and the occupation of the Acropolis carried out by older women means, in terms of sexual politics. Finally, we will seek to present an interpretation for the meaning of the interventions proposed and led by Lysistrata in terms of the social conditions of the historical context in which the play is set. We will conclude by developing a parallel between feminine and comic inclinations, which can only be fully realised in a peaceful environment.