(PDF) Entre sexo e gênero: um estudo bibliográfico-exploratório das ciências da saúde
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Entre sexo e gênero: um estudo bibliográfico-exploratório das ciências da saúde
Mateus Oka
2018, Saúde e Sociedade
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Resumo Os conceitos de “sexo” e “gênero” são importantes porque revelam, em parte, a oposição fundante entre natureza e cultura e a dicotomia entre ciências humanas e biociências. Este texto apresenta os caminhos trilhados por uma pesquisa bibliográfica, de natureza exploratória e qualitativa, que investigou os usos dos termos “sexo” e “gênero” nas publicações sobre ciências da saúde, já que se mostram um campo privilegiado para a análise do tema pela sua interdisciplinaridade. As fontes da pesquisa foram artigos disponibilizados na íntegra na base de dados da Literatura Latino-Americana e do Caribe (Lilacs). Foram selecionados 18 artigos conforme critérios de inclusão e exclusão previamente definidos. Os principais usos dos termos investigados foram sistematizados e discutidos com base em três categorias temáticas, que procuraram dar relevo à pluralidade dos usos dos conceitos estudados, bem como a algumas de suas implicações epistemológicas, relacionadas com a dualidade entre natu...
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Pidato Peresmian Gedung Perpustakaan Baru
Arief Jr.
teman yang berkenan hadir dalam acara ini, serta para hadirin semua yang dimuliakan Allah ". Di hari yang berbahagia ini marilah kita memanjatkan puji syukur kehadirat Allah Swt, yang telah melimpahkan rahmat dan hidayah-Nya kepada kita semua. Karena berkat rahmat-Nya kita dapat berkumpul pada hari ini dalam acara " Peresmian Gedung Perpustakaan Baru ". Pada hari yang cerah ini saya akan membacakan sepatah duapatah kata tentang " Peresmian Gedung Perpustakaan Baru " yang telah dibangun di sekolah ini sejak 2 tahun yang lalu, dan dapat diselesaikan sekitar seminggu yang lalu. Hadirin yang berbahagia, seperti yang kita ketahui gedung perpustakaan itu sangat dibutuhkan di semua sekolah, selain sebagai media pembelajaran, Perpustakaan juga dapat dijadikan sebagai sarana pembantu untuk menambah minat membaca siswa dan sebagai sarana menimba sifat kreatif pada siswa. Banyak sekali manfaat-manfaat dari adanya gedung perpustakaan, misal : 1. Menimbulkan kecintaan murid-murid terhadap membaca. 2. Perpustakaan sekolah dapat memperkaya pengalaman belajar murid-murid. 3. Perpustakaan sekolah dapat menambah kebiasaan belajar mandiri yang akhirnya murid-murid mampu belajar mandiri. 4. Perpustakaan sekolah dapat mempercepat proses penguasaan teknik membaca. 5. Perpustakaan sekolah dapat membantu perkembangan kecakapan berbahasa. Itu adalah sebagian dari kegunaan gedung perpustakaan. Hadirin yang berbahagia, masih membahas tentang gedung perpustakaan, kali ini saya akan membahas kegiatan-kegiatan positif yang dapat dilakukan di perpustakaan. Pertama-tama jam pelajaran dalam perpustakaan terlebih dahulu, yang akan dilaksanakan untuk kelas 7 dan 8 (Empat jam pelajaran setiap satu minggu) sedangkan untuk kelas 9 akan dilaksanakan (2 jam perlajaran setiap satu minggu). Untuk kegiatan-kegiatan yang dilakukan oleh murid-murid dapat berupa kerja kelompok, mendiskusikan suatu permasalahan, dan dapat juga sebagai sarana bersiosialisasi dengan kelas-kelas lain. Fasilitas-fasilitas yang terdapat di gedung perpustakaan ini menurut saya, sudah diatas standard, seperti contohnya area siswa untuk mendapatkan informasi, disana sudah disediakan 24 komputer yang sudah tersambung dengan internet, terdapat 2 Ac, dan juga disediakan ruangan-ruangan untuk siswa yang ingin membaca dengan khusu atau dengan tenang. Untuk itu, saya berharap kepada seluruh siswa, untuk selalu menjaga kebersihan dan kerapihan di dalam gedung perpustakaan tersebut. Untuk itu, seluruh siswa yang datang atau hanya sekedar meminjam buku, diwajibkan untuk menjaga kebersihan di gedung perpustakaan. Harapan saya dengan
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Caso No 1 de mercados financieros
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En el mundo existen muchos tipos de mercados, entre ellos, el automotriz, de ropa, de alimento, etcétera. Aunque todos los mercados venden diferentes productos, todos tienen elementos en común:
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Entre sexo e gênero: um estudo bibliográficoexploratório das ciências da saúde
Between sex and gender: an exploratory bibliographic study
of health sciences
Mateus Oka
Universidade Estadual de Maringá. Centro de Ciências Humanas,
Letras e Artes. Departamento de Ciências Sociais. Maringá, PR,
Brasil.
E-mail:
[email protected]
Carolina Laurenti
Universidade Estadual de Maringá. Centro de Ciências Humanas,
Letras e Artes. Departamento de Psicologia. Maringá, PR, Brasil.
E-mail:
[email protected]
Resumo
Os conceitos de “sexo” e “gênero” são importantes
porque revelam, em parte, a oposição fundante entre
natureza e cultura e a dicotomia entre ciências
humanas e biociências. Este texto apresenta os
caminhos trilhados por uma pesquisa bibliográfica,
de natureza exploratória e qualitativa, que
investigou os usos dos termos “sexo” e “gênero”
nas publicações sobre ciências da saúde, já que
se mostram um campo privilegiado para a análise
do tema pela sua interdisciplinaridade. As fontes
da pesquisa foram artigos disponibilizados na
íntegra na base de dados da Literatura LatinoAmericana e do Caribe (Lilacs). Foram selecionados
18 artigos conforme critérios de inclusão e exclusão
previamente definidos. Os principais usos dos
termos investigados foram sistematizados e
discutidos com base em três categorias temáticas,
que procuraram dar relevo à pluralidade dos usos
dos conceitos estudados, bem como a algumas de
suas implicações epistemológicas, relacionadas
com a dualidade entre natureza e cultura, típica
do pensamento moderno. Além disso, algumas
implicações éticas e políticas também foram
indicadas, de maneira que a discussão possa
ser útil e suscitada entre as ciências da saúde e,
particularmente, a saúde coletiva.
Palavras-chave: Sexo; Gênero; Ciências da Saúde;
Epistemologia.
Correspondência
Carolina Laurenti
Av. Colombo, 5.790, Jardim Universitário. Maringá, PR, Brasil.
CEP 87020-900.
DOI 10.1590/S0104-12902018170524
Saúde Soc. São Paulo, v.27, n.1, p.238-251, 2018 238
Abstract
Introdução
The concepts of “sex” and “gender” are important
because they disclose, in part, the founder
opposition between nature and culture and
the dichotomy between human sciences and
biosciences. The text presents the paths taken
by an exploratory and qualitative bibliographical
research, whose objective was to investigate the
uses of the terms “sex” and “gender” in health
science publications, which are a privileged
field for the subject analysis because of its
interdisciplinarity. The sources of the research
were articles made available in full in the Latin
American and Caribbean Literature database
(LILACS). According to previously defined inclusion
and exclusion criteria, 18 articles were selected.
The main uses of the terms “sex” and “gender”
were systematized and discussed based on three
thematic categories, which sought to highlight
the plurality of uses of the concepts studied, as
well as some of their epistemological implications
related to the duality between nature and culture,
typical of the modern thinking. In addition,
ethical and political effects were analyzed so that
the discussion can be raised and become useful
in the health sciences and, in particular, in the
Collective Health.
Keywords: Sex; Gender; Health Sciences;
Epistemology.
A definição do objeto de uma pesquisa científica
levanta diversos problemas epistemológicos.
Alguns deles ainda ecoam a dicotomia, tipicamente
moderna, entre natureza e ser humano (Laurenti,
2011; Santos, 2008). Sob o lume do pensamento
moderno, a natureza funcionava como uma grande
máquina, exibindo regularidades descritíveis
em termos de leis causais deterministas; o ser
humano, diferentemente, exibia vontade, liberdade
e propósito, resistindo, portanto, a se acomodar
aos moldes mecanicistas do estudo da natureza.
Nesses termos, apenas a investigação da natureza
era coerente com os desideratos da ciência, como
a formulação de leis e a previsão dos fenômenos.
Ciência, portanto, era sinônimo de ciência da
natureza. Mas não de qualquer natureza: trata-se
da natureza-máquina, cujo funcionamento é cego,
não intencional, determinista e previsível. Dessa
perspectiva epistemológica, o ser humano só poderia
ser estudado cientificamente caso se tornasse
parte dessa natureza mecanicista (Laurenti, 2011;
Santos, 2008).
Uma tentativa de garantir a possibilidade de
estudo científico do ser humano sem supostamente
subscrever o mecanicismo foi a divisão entre
“ciências da natureza” e “ciências do espírito”, que
se deu no século XIX (Santos, 2008). Tal separação
estava assentada na defesa de uma epistemologia
distinta das ciências da natureza por parte das
ciências do espírito. É o caso, doravante, de buscar
a compreensão e não a explicação; a descrição e não
a predição; as condições e não as variáveis; o sentido
e o desejo, e não o comportamento; o interno e não o
externo; a liberdade, e não o controle. Coerente com
esses novos objetivos, as diretrizes metodológicas
seriam, portanto, qualitativas e não quantitativas
(Laurenti, 2011).
A despeito da inauguração de novas
epistemologias, a separação entre ciências naturais
e ciências do espírito reiterou, em última instância,
a própria dicotomia moderna entre natureza e
ser humano. Isso porque é ainda a concepção
mecanicista de natureza que baliza as diferenças
entre esses dois tipos de ciência: ciência do espírito
é diferente da ciência natural, pois seu objeto de
Saúde Soc. São Paulo, v.27, n.1, p.238-251, 2018 239
estudo não é mecanicista. Santos (2008, p. 39)
esclarece o ponto: “[a concepção de ciência das
ciências do espírito] revela-se mais subsidiária do
modelo de racionalidade das ciências naturais do
que parece. Partilha com este modelo a distinção
natureza/ser humano e tal como ele tem da natureza
uma visão mecanicista à qual contrapõe, com
evidência esperada, a especificidade do ser humano”.
Contemporaneamente, a distinção entre ciências
naturais e ciências do espírito, e suas versões mais
atualizadas como a oposição entre biociências
e ciências humanas – e dicotomias associadas,
como natureza versus cultura e natureza versus
indivíduo –, tem gerado algumas dificuldades quando
a proposta é a de estabelecer uma investigação
interdisciplinar de um determinado fenômeno. Em
particular, no campo de estudos das feminilidades
e das masculinidades, uma série de debates sobre
a natureza biológica ou cultural dos caracteres que
distinguem homens e mulheres é levantada, desde
a capacidade de meninas e meninos resolverem
problemas matemáticos à diferenciação da
constituição neural conforme o sexo (Haraway,
2004). Nesse sentido, os conceitos de “sexo” e de
“gênero” emergem como termos que se referem
a dois campos opostos em disputa: de um lado,
as características estritamente bioquímicas e
fisiológicas estudadas pelas biociências e, de
outro, a dimensão subjetiva e cultural do que é ser
“mulher” ou ser “homem”, sendo campo de análise
das ciências humanas. A causa do que constitui a
diferença entre os “sexos” ou os “gêneros” é sempre
posta em discussão e, não raro, ambas as dimensões
são combinadas para a tentativa de uma explicação
mais completa.
O esforço de articulação das dimensões do
“sexo” – a natureza – e de “gênero” – a cultura – é
bem ilustrado nas pesquisas das ciências da saúde,
que, não por acaso, é também um campo marcado
por uma multiplicidade disciplinar. Isso ocorre de
maneira mais evidente no ramo da saúde coletiva,
que constitui um campo direto de aplicação das
ciências sociais e surge como uma proposta de
compromisso com problemas sociais, com políticas
públicas em saúde e com o Sistema Único de Saúde
(SUS) no Brasil, sendo nítidos os traços políticos
e interventivos de seus estudos. Essa perspectiva
teórica se constituiu justamente na negação da
ênfase única nos conhecimentos biomédicos de
vertentes como da medicina social, prezando por
uma abordagem combinada entre o biológico e o
social. Como assinalado por Novaes (2010, p. 314), “A
própria natureza do objeto de estudo, saúde, solicita
a abordagem solidária e interdisciplinar”.
Pesquisar sobre esses conceitos que,
particularmente, encontram-se em disputa nas
políticas públicas brasileiras – como na retirada da
palavra “gênero” no Plano Nacional de Educação
de 2014 e os movimentos levantados a favor de sua
remoção (Carvalho et al., 2015) – toma um sentido
instigante, tendo em vista que a distinção analítica
entre “sexo” e “gênero” fora esboçada nos estudos
de intervenção clínica, sem a pretensão inicial de ser
apropriada pelas lutas políticas feministas e LGBT+
(Fausto-Sterling, 2002). Como demonstra Aquino
(2006), contudo, esses campos de disputa política se
influenciam mutuamente, havendo desde a década de
1980, no Brasil, uma tendência à institucionalização
das pesquisas em “gênero” na saúde, muito atrelada
às reinvindicações de movimentos sociais. Como
destaca a autora, os usos desse conceito são plurais
e influenciados em grande medida pelas pesquisas
internacionais, mas existem condicionantes próprias
no contexto nacional em seu amplo sentido (Aquino,
2006; Carvalho et al., 2015) que tornam importante
a investigação desses usos no Brasil. Isso porque,
no âmbito internacional, essa discussão tem sido
realizada nas próprias ciências da saúde a respeito
das implicações éticas dos usos de “sexo” e “gênero”
nas pesquisas da área (Johnson; Greaves; Repta,
2007). A intenção de pesquisar no campo das ciências
da saúde se pauta na sua comunicação com áreas
do conhecimento além das biociências, abrindo
margem, como verificado, para a utilização de termos
e conceitos desenvolvidos no campo das ciências
humanas. Não coincidentemente, essa interface entre
tais áreas distintas do conhecimento científico é
expressiva quando discute-se sexo e gênero, natureza
e cultura, biociências e ciências humanas, situando o
campo da saúde em uma perspectiva privilegiada para
a reflexão dessas questões. Tendo no horizonte esses
aspectos, o objetivo deste estudo é mapear alguns
dos usos correntes dos termos “sexo” e “gênero” nas
publicações de ciências da saúde.
Saúde Soc. São Paulo, v.27, n.1, p.238-251, 2018 240
Procedimentos metodológicos
Realizou-se uma pesquisa bibliográfica, de
natureza exploratória e qualitativa, cujas fontes
foram artigos científicos disponibilizados na base
de dados da Literatura Latino-Americana e do
Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), que indexa os
principais periódicos da área da saúde e possibilita
o foco nas produções nacionais (Cuenca et al.,
1999). Essas fontes foram acessadas em junho de
2016, inicialmente combinando as palavras-chave
“sexo” e “gênero” no mecanismo de busca da Lilacs.
Para atender ao objetivo de abranger a pluralidade
dos usos dos conceitos, não foi estabelecido um
período temporal de publicação dos artigos. Foram
selecionados trabalhos que exibissem os referidos
termos no corpo do resumo, além de serem escolhidos,
por meio do filtro de busca disponível no lado direito
da página, apenas (1) artigos redigidos em (2) língua
portuguesa, com (3) país de filiação e (4) assunto da
pesquisa o Brasil que estivessem (5) disponíveis.
Dos 121 trabalhos encontrados, ainda foi necessário
estabelecer alguns critérios de exclusão. Eliminadas
as repetições, foram retirados os artigos que
utilizavam “sexo” e “gênero” exclusivamente com
funções sociodemográficas, bem como aqueles que
se referiam a gênero apenas como uma categoria
taxonômica ou mencionava esses conceitos somente
no contexto de uma revisão de literatura. Com a
leitura desses artigos, foram ainda excluídos aqueles
cuja versão completa não estava disponível ou que
não apresentava, de fato, os termos pesquisados neste
estudo no resumo. No total, foram selecionados 18
artigos, conforme as estratégias de seleção e exclusão
de artigos ilustradas em fluxograma inspirado em
Ferreira (2016), na Figura 1.
Figura 1 – Fluxograma dos critérios de inclusão e de seleção de artigos
Artigos acadêmicos encontrados na base de dados Lilacs.
Critérios = palavras-chave (”sexo”;”gênero”) e filtros de busca:
idioma (português); tipo de documento (artigo); país de
filiação (Brasil) e país/região como assunto (Brasil), por resumo.
Resultado = 121 artigos
Critério de exclusão:
não continham as palavras
“sexo” e “gênero”; repetições.
N=12
Leitura preliminardos artigos.
N=109
Critério de exclusão:
uso de “sexo” e “gênero” como
um grupo estatístico e/ou
perfil sociodemográfico
N=64
Critério de exclusão:
uso de “gênero” como
categoria taxonômica.
N=15
Critério de exclusão:
artigo completo não disponível.
N=4
Critério de exclusão:
artigo de revisão de literatura.
N=8
Artigo incluídos
N=18
Fonte: Adaptado de Ferreira, 2016
Saúde Soc. São Paulo, v.27, n.1, p.238-251, 2018 241
Tendo em vista a proposta já apresentada desta
pesquisa, a forma de análise dos dados pautou-se
em um exame qualitativo do material selecionado.
Inicialmente, o conteúdo dos artigos foi sistematizado
em tabelas, cujas colunas especificavam: (1) referência
do artigo, (2) o uso do termo “sexo”, com a reprodução
literal do trecho extraído do texto; (3) uso do termo
“gênero”, com a reprodução literal do trecho extraído
do texto; (4) comentários que procuravam relacionar
os usos encontrados com outros artigos, estudos das
biociências e teses da teoria feminista.
Com base no material compilado nas tabelas,
foram elaboradas três categorias temáticas que
resumiram os principais usos encontrados: (1) Da
sinonímia à separação de “sexo” e “gênero”; (2) Sexo
e gênero: “entre o que é e o que socialmente se
constrói”; e (3) Uma ciência sem gênero, um sexo
sem cultura. É necessário esclarecer que cada um
dos artigos selecionados na pesquisa pode fazer
parte de mais de uma categoria temática, pois elas
foram elaboradas com base nos usos e nas teses
subjacentes sobre “sexo” e “gênero” presentes nos
textos, e não sobre cada artigo em sua totalidade. Em
outras palavras, não foi procurada uma coerência
interna do texto completo quanto aos usos desses
conceitos. Entretanto, no momento da seleção, foram
identificados diversos artigos que apresentavam
apenas um tipo de uso ao longo de todo o texto – e,
no caso de um uso exclusivo de “sexo” e “gênero”
com função sociodemográfica ou taxonômica no
trabalho inteiro, foi rejeitado conforme os critérios
de exclusão – o que fará que alguns deles estejam
incluídos em apenas uma categoria.
A proposta deste estudo não é a de esgotar todos
os usos possíveis dos termos, mas tão somente criar
um panorama favorável à identificação de algumas
implicações epistemológicas e sociais dos usos dos
termos aqui examinados em pesquisas das ciências
da saúde.
Da sinonímia à separação de “sexo”
e “gênero”
A primeira categoria temática que foi possível
depreender dos usos encontrados de “sexo” e
“gênero” nos artigos de ciências da saúde ilustra
um espectro entre dois extremos: de um lado, uma
equivalência ou uma relação de sinonímia entre os
dois termos e, de outro, a importância da cisão entre
eles. Esse caminho de separação entre os conceitos
é perpassado também por suas formulações
necessariamente binárias, às quais Butler (2003,
p. 24) pontua: “mesmo que os sexos pareçam não
problematicamente binários em sua morfologia e
sua constituição (ao que será questionado), não há
razão para supor que os gêneros também devam
permanecer em número de dois”.
Historicamente, a divisão analítica entre “sexo”
e “gênero” remonta aos estudos do médico John
Money, de acordo com os quais a anatomia sexual
de nascença de um indivíduo não garantiria que, ao
longo de sua vida, esse mesmo ser pudesse tornarse aquilo que socialmente é reconhecido como um
homem ou uma mulher de verdade: “O fato é que não
há dois caminhos, mas um caminho com numerosas
encruzilhadas, onde cada um de nós toma a direção
masculina ou feminina. Nós nos tornamos homens
e mulheres em etapas” (Money; Tucker, 1981, p. 9).
A tese de Money abria possibilidades para que
sujeitos que não cumpriam as expectativas sociais
associadas ao seu “sexo” de nascimento pudessem
ser adequados ao que socialmente se encaminharam
e não poderiam mais retornar. Esse caminho trilhado,
de natureza social, seria descrito como a dimensão
do “gênero”. O seu caráter normativo, mais tarde,
foi criticado em suas formulações (Butler, 2003),
criando modelos de determinação do “sexo” e do
“gênero” como um campo psicológico, de maneira
que essas categorias pudessem estar alinhadas em
um único sujeito (Cardoso, 2008).
A crítica de Butler (2003) à ordem compulsória
do sexo/gênero/desejo revela justamente a lógica
que legitima uma mulher verdadeira ou um homem
verdadeiro, isto é, aqueles sujeitos em que um “sexo”
feminino esteja alinhado a um “gênero” também
feminino e que, consequentemente, expresse um
desejo heterossexual, e vice-versa. A unidade e
a coerência de um sujeito, conforme a filósofa,
depende do alinhamento dessas categorias como se
elas fossem decorrentes uma da outra. Na prática,
era a norma em que Money prezava em adequar os
corpos de seus pacientes.
A primeira utilização encontrada de “sexo” e
“gênero” nesta pesquisa pode ser esclarecida com
Saúde Soc. São Paulo, v.27, n.1, p.238-251, 2018 242
base nessa ordem de heterossexualidade compulsória.
Esse uso diz respeito a uma relação de sinonímia
entre os dois conceitos, ou seja, a utilização de ambas
as palavras de maneira intercambiada ao longo do
texto, como se fossem traduções mútuas. Oito dos
18 artigos selecionados revelaram essa forma de
uso dos termos (Antunes et al., 2002; Emerich et
al., 2012; Golias; Caetano, 2013; Greco et al., 2007;
Guerra et al., 2004; Lima et al., 2013; Medeiros et
al., 2014; Pelloso; Carvalho; Higarashi, 2008). A
pesquisa de Golias e Caetano (2013) é ilustrativa,
pois consiste na investigação de um banco de dados
que registra as informações de vítimas de acidentes
entre motocicletas no estado do Paraná. Ao longo
do texto, há a menção de que “Foram capturadas
informações […] sobre o número e tipo de acidente
[…], gênero, idade e gravidade das lesões” (Golias;
Caetano, 2013, p. 1235). Contudo, o que consta nesse
banco de dados não é “gênero”, mas “sexo”.
Outro artigo que mostra essa relação afirma que
as políticas públicas em saúde “devem levar em conta
que existem dois gêneros, masculino e feminino, e
ser adaptados distintamente a ambos” (Antunes et
al., 2002, p. 89). Nesse sentido, as possibilidades de
“sexo” e de “gênero” são analogamente binárias e não
há a antecipação da possibilidade de que essas duas
categorias não estejam alinhadas normativamente
no sujeito de pesquisa. Assim, termos como “sexo
masculino” e “gênero masculino” são intercambiados
ao longo do texto. Aquino (2006, p. 128) já sinalizara
essa relação mimética entre essas palavras nas
pesquisas em saúde, argumentando que, muitas
vezes, “gênero” cumpre a função de ser uma versão
apenas mais “politicamente correta” (p. 128)
de “sexo”.
Já em outro conjunto de usos, que inclui quatro
artigos (Araújo et al., 2012; Chacham; Maia; Camargo,
2012; Sampaio et al., 2014; Schraiber; D’Oliveira;
França Junior, 2008), a importância da separação
analítica entre esses dois conceitos se torna mais
evidente na formulação das “históricas e desiguais
relações de gênero, que teimam em perdurar e
vulnerabilizar as mulheres” (Sampaio et al., 2014,
p. 1303). Nessa acepção de “gênero”, o conceito passa
a dar atenção para as relações de poder desiguais
existentes entre os “sexos”, ou seja, mulheres em
vulnerabilidade social em detrimento de homens.
Na década de 1970, a separação analítica entre
“sexo” e “gênero” teve uma grande expressão na
teoria feminista, com o objetivo de questionar as
justificativas biológicas das violências sofridas
pelas mulheres, deslocando as explicações para
as condições históricas e culturais em que essas
opressões se manifestam – o “gênero”. Assim,
historicamente, feministas lutaram pela primazia de
“gênero” em detrimento de “sexo” (Haraway, 2004).
Nesses quatro artigos, foi possível identificar um
uso menos frequente do termo “sexo” em relação ao
conceito de “gênero”, que, por sua vez, desempenha
um papel importante no ponto de partida e nas
análises da pesquisa.
Um terceiro grupo de artigos, de maneira análoga,
dá relevância à noção de “gênero” como um contexto
cultural e histórico no qual os significados sobre
ser homem ou ser mulher estão contingentes.
Todavia, em Oliveira et al. (2004) e Barbosa e
Facchini (2009), as duas únicas publicações que
constituem esse conjunto, há uma maior pluralidade
quanto à produção das identidades femininas e/
ou masculinas. Dá-se atenção, por exemplo, às
diferentes percepções sobre sexualidade resultante
de mulheres que fazem sexo com outras mulheres
(Barbosa; Facchini, 2009), revelando que as relações
de poder e a construção de identidades não se limitam
a um binário assimétrico entre homens e mulheres,
como é formulado nos artigos do grupo anterior.
O problema da identidade da “mulher” – ou das
“mulheres” – na política feminista é levantado
pelo menos desde Butler (2011, p. 76), ao destacar
a necessidade de deixar de “considerar o estatuto
da categoria [mulher] em si e, de facto, discernir
as condições de opressão provenientes de uma
reprodução inquestionada da identidade de gênero,
que mantém as categorias de homem e mulher
discretas e binárias”. A fixação da identidade feminina
no binarismo da assimetria entre a masculinidade
e a feminilidade corre o risco de reiterar normas de
uma heterossexualidade compulsória.
Entretanto, é relevante que essa primazia
do aspecto cultural parece ser uma herança das
teses feministas da década de 1970, que lutavam
contra o determinismo biológico que implicava
na condição de “sexo feminino”. Em parte, essa
posição se relaciona com a história das dominações
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imperialistas sobre povos que não se encontravam
nos modelos ocidental e urbano, legitimada por
discursos biológicos, justificando o genocídio, o
etnocídio e a dominação masculina e científica
sobre a natureza (Haraway, 2004; Rapchan, 2009).
Assim, nas ciências sociais constituiu-se uma
espécie de “biofobia”, pelos efeitos políticos que os
conhecimentos das biociências carregam. Artigos
situados nessa categoria parecem estar sensíveis
a essa questão, quando articulam suas análises
sobre a condição de homens e mulheres “de modo
diverso em diferentes segmentos sócio-econômicos”
(Barbosa; Facchini, 2009, p. 292). “Gênero”, nesse
sentido, reorientaria as explicações, sinalizando a
atenção ao seu caráter social e político.
Sexo e gênero: “entre o que é e o que
socialmente se constrói”
A segunda categoria ilustra um dos possíveis
usos de “sexo” e “gênero” de nove dos 18 artigos
selecionados para a pesquisa (Antunes et al., 2002;
Araújo et al., 2012; Emerich et al., 2012; Gondim et al.,
2013; Guerra et al., 2004; Lima et al., 2013; Oliveira
et al., 2015; Pelloso; Carvalho; Higarashi, 2008; Silva
et al., 2007). Esse uso alude a uma separação rígida
entre natureza e cultura, em que a última se sobrepõe
à primeira, e essa dualidade se constitui como uma
explicação da origem das diferenças comportamentais
entre mulheres e homens. Essa sobreposição segue a
lógica da existência de um “sexo” real, preexistente
à cultura, no qual “gênero” diz respeito, nesse caso,
à interpretação dessa materialidade de maneira
contingente a cada sociedade e momento histórico.
“Gênero” é a inscrição, a marca cultural sobre a
realidade biológica dada nos termos dessa formulação;
ou seja, a maneira “como a sociedade constrói
as diferenças sexuais, atribuindo papéis sociais
diferentes a homens e mulheres. Gênero, portanto,
refere-se à dimensão social da sexualidade humana”
(Araújo et al., 2012, p. 716). Ainda, de forma devedora
das antecipações dos perigos políticos dos discursos
pautados na biologia, “O conceito de gênero critica
a condição de homem e mulher fixada na diferença
sexual. Procura promover a distinção entre sexo e
gênero, entre o que é e o que socialmente se constrói”
(Pelloso; Carvalho; Higarashi, 2008, p. 113).
Os trechos citados dos artigos situados nessa
categoria ilustram a tentativa de articulação dos
conhecimentos das biociências e das ciências
humanas, buscando uma análise mais completa
das questões da “mulher” e do “homem” – ou seja, a
inclusão da perspectiva de “gênero” somada a “sexo”.
Foi identificada entre os artigos a sobreposição das
categorias, revelando, por exemplo, que publicações
da segunda categoria – tratada nesse momento –
também apresentam um uso intercambiado dos
termos no momento de se referir aos indivíduos como
“sexo masculino” ou “gênero masculino”, ocorrendo o
mesmo na versão feminina – uso retratado na primeira
categoria temática descrita neste artigo. Em outras
palavras, a despeito de revelar o caráter construído de
“gênero” sobre o “sexo” – ou a interpretação de uma
determinada cultura sobre o sexo –, as possibilidades
dessa construção se dão de maneira também binária,
separada entre macho e fêmea.
Outra citação de um dos artigos sugere uma
possível tensão entre explicações biológicas e
culturais, e no esforço de combiná-las: “É importante
destacar que a sexualidade como uma atividade
inerente ao ser humano é construída a partir
de suas vivências, da interação com o meio e
pela cultura, sendo, portanto, um fenômeno
sociocultural” (Oliveira et al., 2015, p. 1766, grifos
nossos). Se a sexualidade é um fenômeno inerente à
humanidade, por que ela é construída socialmente?
Os argumentos parecem se encaminhar na direção
de uma sexualidade já existente, pré-cultural e prédiscursiva, no qual as relações sociais se encarregam
de modelar conforme a vivência do sujeito.
No entanto, Foucault (1988) já discutira em seu
trabalho histórico e filosófico que a sexualidade não
é algo “inerente ao ser humano”, mas antes é uma
produção a partir do século XVIII das ditas scientia
sexualis – as ciências sexuais, ou da sexualidade.
O sexo passou a ser um objeto de interesse científico e
permitiu que uma dimensão de observação, confissão
e tratamento clínico, denominada “sexualidade”,
surgisse. Assim, os sujeitos puderam ser passíveis de
vigilância pelo saber médico. Um campo da espécie
humana designada por sexualidade não havia sido
produzido antes dos interesses médicos, e o autor
demonstra como isso não se trata de uma descoberta
científica – como algo que estivesse à espera dos
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cientistas para ser revelada –, mas um fenômeno
historicamente datado e que atendia aos interesses
sociais e políticos.
Nesse sentido, autoras e autores de diversas áreas
argumentaram como o próprio sexo, dado como uma
realidade fixa – o domínio da “natureza” – é também
contingente ao seu contexto cultural. O trabalho de
campo de Machado (2005) nas clínicas de “correção
do sexo” para pessoas consideradas intersexo mostra
como os diversos saberes médicos competem no
contexto hospitalar para a determinação da verdade
do sexo da criança. De fato, diversos aspectos
sobre o sexo são levantados: gonadal, hormonal,
cromossômico, molecular e psicológico. E a questão
é que nem sempre todas essas características
no corpo de uma pessoa estão alinhadas a uma
anatomia exclusivamente, ou essencialmente,
feminina ou masculina. Fausto-Sterling (2002)
discute o caso da atleta Maria Patiño, que descobriu
que não possuía cromossomos sexuais XX somente
após o exame médico exigido para entrar em uma
competição, que identificara seu par cromossômico
XY. Dentre algumas razões, por conta de sua condição
fisiológica de insensibilidade aos hormônios
masculinos, seu corpo havia se desenvolvido
biologicamente, psicologicamente e socialmente
de aspecto reconhecido como feminino. Sua
anatomia é considerada agora como intersexo pela
análise biomédica.
Assim, uma definição final das biociências sobre
o que é o sexo parece incerta. Por exemplo, a bióloga
Roughgarden (2005), propondo produzir uma espécie
de catálogo – e defesa – da diversidade dos seres vivos,
afirma que a única definição válida de sexo para a
enorme gama de espécies existentes é de que, nos
seres sexuados, o indivíduo que produz o gameta
maior é o feminino, enquanto o menor gameta é
produzido pelo ser masculino. Para além disso, as
espécies revelam uma diversidade tão grande de
conformações anatômicas, sociais e comportamentais
que seria impossível dividir, de maneira absoluta,
seus grupos entre machos e fêmeas da mesma forma
como se classificam os humanos.
Nesse contexto, muitas pesquisas se propuseram
a revelar o fator determinante do sexo, ou da
diferenciação sexual binária. Passando por variáveis
nutricionais e ambientais, foi apenas depois da
década de 1950 que o papel dos cromossomos e,
particularmente, do cromossomo Y foi ressaltado.
Se inicialmente era acreditado que unicamente a
presença do Y era suficiente para produzir um corpo
macho, logo foi descoberta a existência de diversas
mulheres que portavam o par cromossômico XY, ou
seja, que não desenvolviam testículos. Por outro
lado, pessoas com o par XX podiam apresentar a
formação das gônadas sexuais masculinas. A busca
por um fator de determinação testicular pareceu
ser resolvida quando fora descoberta uma região
do Y que seria a chave para a diferenciação sexual
(Damiani; Dichtchekenian; Setian, 2000). Butler
(2003) narra a empreitada trilhada por dr. Page na
tentativa de encontrar um fator ativo no cromossomo
Y que estivesse ausente no X, pressupondo, contudo,
a passividade ou a ausência de um fator de formação
da diferenciação sexual feminina.
Segundo Roughgarden (2005), o gene SRY
localizado no cromossomo Y, descrito como aquele
responsável pela diferenciação sexual/gonadal,
não detém de fato a “palavra final” na esfera da
complexa relação entre os diversos genes que
participam desse processo. Na verdade, os genes
que participam da formação das gônadas sexuais e
da diferenciação sexual estão localizados em outras
regiões cromossômicas. O SRY, entretanto, possui
uma influência relevante nesse processo quando está
presente, impedindo a expressão de determinadas
partes do DNA as quais seriam codificadas
(Roughgarden, 2005), ou mesmo modificando a
estrutura do DNA (Damiani; Dichtchekenian; Setian,
2000), participando ativamente desse processo.
A narrativa tradicional apresentada, portanto,
postula que haveria um fator – um gene – responsável
e ativo para determinar toda a cadeia de processos
subsequentes que formam as diferenças sexuais.
Essa versão tenta estabelecer “o núcleo da célula
plenamente diferenciado como amo ou senhor do
desenvolvimento de um novo organismo completo
e bem formado” (Butler, 2003, p. 159). A narrativa
alternativa, todavia, revela que o desenvolvimento
orgânico não se trata de “derrubar todos os pinos
no boliche”, como se houvesse uma linha regular e
normativa que caminha para a diferenciação sexual
normal e saudável; mas, antes, há um “comitê de
genes”, ou seja, uma relação complexa entre diversos
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genes que levam em direção ao desenvolvimento
(Roughgarden, 2005, p. 209). Dessa forma,
a genética não dita um binário de gêneros. Embora
o sistema de cromossomos sexuais de mamíferos
produza um binário com base no tamanho dos
gametas, os corpos gerados que produzem aqueles
óvulos e espermatozoides não são coagidos pela
genética da determinação sexual; eles são livres
para se adaptar evolucionariamente ao contexto
local. (Roughgarden, 2005, p. 218)
A autora completa ainda: “De fato, a pesquisa com
o genoma humano tem revelado que todas as pessoas
são geneticamente diferentes. Pessoas ‘normais’
não são um mar de genótipos, corpos e cérebros
homogêneos. Elas são geneticamente diversas, como
flocos de neve” (Roughgarden, 2005, p. 218).
A narrativa proposta por Roughgarden (2005)
revela uma complexidade orgânica que não é
antagônica às dimensões culturais e que reflete na
individualidade de cada sujeito. Se duas pessoas são
comparadas geneticamente, certamente aparecerão
diferenças. A despeito disso, “gênero” é descrito,
conforme as teses apresentadas nessa temática,
como “uma categoria sociológica que se refere à
construção social e cultural dos papeis que homens
e mulheres desempenham na vida diária” (Gondim
et al., 2013, p. 154). A pergunta a ser formulada,
então, é por que o “sexo” (ou “homens” e “mulheres”)
é colocado como um ideal normativo e universal
que determina a homogeneidade de uma série de
características orgânicas que nem sempre estarão
binariamente divididas?
Uma ciência sem gênero, um sexo
sem cultura
A terceira e última categoria temática inclui
oito publicações (Antunes et al., 2002; Araújo et
al., 2012; Chacham; Maia; Camargo, 2012; Guerra et
al., 2004; Martins et al., 2012; Medeiros et al., 2014;
Pelloso; Carvalho; Higarashi, 2008; Sampaio et al.,
2014), que se destacam pelo uso do termo “gênero”
associado à cultura, no sentido de tradições, de
senso comum, mitos, tabus, questões, enfim,
normas comportamentais de gênero estabelecidas
ao longo da história para o “sexo feminino” e
o “sexo masculino”. Essa dimensão de caráter
normativo de gênero e de cultura é geralmente
tratada pelos estudos em pauta como algo a ser
ultrapassado: “No entanto, ainda permanece um
sistema de crenças que inclui estereótipos sobre
homens e mulheres, atitudes diante dos papeis
apropriados para cada sexo” (Guerra et al., 2004,
p. 48, grifos nossos). Assim, as pesquisas que foram
situadas nessa categoria temática frequentemente
estudam grupos de adolescentes, já que neles “estão
presentes conflitos, questionamentos, curiosidades
e percepções, relativos à identidade sexual, […]
relacionamentos afetivos, reprodução humana,
bem como os tabus, mitos e questões de gênero
relacionados à sexualidade” (Martins et al., 2012,
p. 99, grifos nossos).
No âmbito dessas pesquisas, a adolescência
é caracterizada como uma condição de confusão
acerca dos papeis sexuais designados aos sujeitos
no momento do nascimento, considerando os
adolescentes como um grupo particularmente
vulnerável ao contágio de infecções sexualmente
transmissíveis e à gravidez precoce. Nesse sentido, as
ciências da saúde, e particularmente a saúde coletiva,
se constituiria como um campo científico legítimo
a se encarregar da orientação de adolescentes para
práticas sexuais mais saudáveis, livres dos mitos e
das questões de gênero que esses sujeitos aprendem
por meio da cultura. Tacitamente, essa formulação
parece implicar a tese de que as questões de gênero
são reiteradas por meio da cultura e são problemas
a serem solucionados por meio da superação
dessas tradições ultrapassadas e normativas.
Os conhecimentos oriundos dos estudos científicos
já seriam, por natureza, “desmistificados” – ou seja,
livre das interferências parciais ou irracionais
das práticas culturais ou do senso comum –,
transmitindo informações que levem a padrões
mais racionais, adequados e que colaboram para o
desenvolvimento saudável.
A despeito da pretensão dessa versão de uma
ciência à parte da cultura, de saída, a própria noção de
adolescência historicamente se constitui como uma
identidade arbitrária e contingente culturalmente.
Com a invenção de um espaço onde se enclausura
uma gama de indivíduos na mesma faixa etária que
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passam a conviver sob as mesmas regras disciplinares
e a trocarem experiências nesse ambiente – a escola –,
em cada geração e contexto cultural a identidade
adolescente tem se transformado e produzido
significados diferentes (Pereira, 2010). Assim, na
medida em que esses sujeitos são definidos como
confusos em relação à sexualidade, desorientados
e suscetíveis aos problemas de saúde sexual – nos
parâmetros definidos pelas ciências da saúde –,
talvez seja produtivo perguntar em que medida esses
assuntos são de fato uma questão para adolescentes
e jovens como o são para as próprias pesquisas em
saúde – particularmente aquelas envolvidas em
saúde coletiva.
Seguindo esse raciocínio, a noção de “sexo” como
uma categoria “real”, fixa e reprodutora objetiva e
exata da realidade – ou seja, sem influências culturais
– é criticada. Como pontuado por Butler (2003), isso
não significa dizer que não seja possível realizar
afirmações baseadas em demonstrações empíricas e
válidas acerca das diferenças sexuais ou o binarismo
sexual – como várias pesquisas nas ciências biológicas
têm revelado, confirmadas por biólogas como
Roughgarden (2005) –, mas que “as pressuposições
culturais sobre o status relativo de homens e mulheres
e sobre a relação binária do gênero estruturam e
orientam as pesquisas sobre a determinação sexual”
(Butler, 2003, p. 160). Em outras palavras, as pesquisas
científicas não estão deslocadas de seus contextos
culturais e também não estão isentas de reproduzirem
práticas culturais que podem ser violentas para com
determinados indivíduos.
Conforme Butler (2003), a formulação da categoria
do sexo já é, desde o início, generificada. A despeito
de apresentar complexidades orgânicas difíceis de
serem definidas apenas sob um fator, pesquisas
científicas podem partir do pressuposto de um sexo
homogêneo e binariamente dividido dos seus sujeitos
de pesquisa. Isso revela o seu caráter de gênero – ou
seja, as práticas discursivas reiteradas de gênero que
enrijecem a noção de corpos sexualmente divididos em
macho e fêmea e que, em última instância, devem estar
alinhados a normas comportamentais e identitárias
sobre “ser homem” e “ser mulher”.
Esse distanciamento dos conhecimentos
científicos em relação ao próprio contexto cultural
em que se inserem parece estar relacionado ao
panorama teórico das ciências modernas que
estabelecem uma identidade entre objetividade e
neutralidade (Laurenti, 2014). Segundo Fuks (1991,
p. 41), “a especificidade da ciência na cultura moderna
consiste nela afirmar-se como algo diferente da
cultura, relativo à natureza e não ao homem, como
discurso a respeito da realidade ‘tal como ela é’”.
A realidade que “é”, portanto, seria o fato destituído
de qualquer subjetividade, valor, sentimentos,
personalidade e teorias – ou cultura – que seriam
meras distorções daquilo que é real. Na lógica dessa
tese, o campo dos valores é oposto ao dos fatos por ser
irregular, pessoal e, por conseguinte, passível de ser
relativizado. A base segura para um conhecimento
legítimo seriam os fatos, que correspondem àquilo
que permanece regular e é impessoal – ou seja, se
duas pessoas diferentes observam fatos iguais, elas
chegarão às mesmas conclusões acerca dos fatos,
independentemente das suas interpretações mais
subjetivas, reservadas ao campo dos valores e da
teoria (Laurenti, 2014). A ciência, em sua versão
moderna, busca sua fundamentação nos fatos para
construir conhecimentos sólidos e verdadeiros,
livre das “impurezas” das crenças, da política, da
magia, da moral, da ética, da estética, dos costumes
ou da cultura.
A neutralidade exigida para a legitimação de um
conhecimento verdadeiro segundo os preceitos de
uma ciência moderna, contudo, conforme Laurenti
(2014), é ela própria parte de uma teoria. Uma crítica
sociológica a esses pressupostos permite revelar
que essa é uma das formulações teóricas possíveis
acerca da ciência, e que ela, por sua vez, pode ser vista
“como uma prática social atravessada por interesses
nem sempre explícitos, por posições em luta que, em
última análise, vão dando os contornos e os limites
do universo científico” (Laurenti, 2014, p. 20). Assim,
pode ser que, de fato, seja “fundamental compreender
qual a repercussão das questões de gênero na vida
sexual dos adolescentes, a fim de contribuir para
ações específicas de educação em saúde” (Martins
et al., 2012, p. 99), mas entender também quais são as
questões de gênero que subsidiam a atuação desses
profissionais. Discutir a ciência como uma prática
social permite situá-la no interior da(s) cultura(s) e
pensar nas consequências de suas atividades nos
diversos contextos sociais.
Saúde Soc. São Paulo, v.27, n.1, p.238-251, 2018 247
Algumas implicações epistemológicas,
éticas e políticas dos usos de “sexo”
e “gênero”
Dado esse panorama reflexivo, as perspectivas de
gênero tradicionalmente adotadas se relacionam com
a dualidade entre natureza e cultura como também
uma tentativa de retirar, quando possível, o perigo das
teses biológicas do campo de discussão das diferenças
sexuais. A biologia, da maneira como parece ser
concebida, constitui a dimensão da inerência, do que
é, da natureza que é idêntica a si mesma, incontestável
em sua fixidez e, portanto, universal.
Quando se constata que padrões comportamentais
considerados masculinos ou femininos não são
universais, mas contingentes culturalmente,
a estratégia política e epistemológica adotada
caminha para a remoção da rigidez da natureza
biológica e sua substituição pelo domínio cultural,
flexível e simbólico. Ironicamente, essa própria
noção enrijecida da biologia é o que dá base à
construção cultural do “gênero”, tornando o “sexo”
inquestionável. A dicotomia estabelecida entre os dois
termos, nesse sentido, mesmo apontando para a fuga
do determinismo biológico, não consegue escapar
do caráter rígido e normativo dessa biologia que
ela própria reitera, ao separá-la completamente das
dimensões culturais. Esse movimento parece estar
relacionado ao cenário amplo da dicotomia entre
biociências e ciências humanas: “Ao entusiasmo
ideológico pelo cientificismo, respondeu-se com
uma recusa. Recusa que, na verdade, confirmava
o cientificismo, por ignorar, paradoxalmente, e no
mesmo movimento, o diagnóstico da grande crise da
ciência” (Velho, 2001, p. 134).
Autores como Ingold (1994) procuram caminhos
para resolução desses problemas da ciência. Nesse
contexto, o autor não responde à questão reificando
a separação rígida entre natureza e cultura, entre
biociências e ciências humanas, entre primatologia
e antropologia; ao contrário, propõe que o objeto de
estudo das ciências biológicas seja entendido de
outra maneira e que as pesquisas antropológicas
se situem de maneira alinhada a esses trabalhos.
Algumas autoras feministas que pensam a
categoria de gênero, como Butler (2003, 2011), já
vêm de uma trajetória que analisa e, por vezes,
critica as formulações teóricas do feminismo da
década de 1970. Esses debates travados nas áreas
tradicionalmente demarcadas como referentes
às humanidades podem enriquecer as pesquisas
das biociências e, especialmente, das ciências da
saúde. Por outro lado, nos termos de Velho (2001,
p. 138), talvez seja cada vez mais urgente para as
ciências humanas “Sair da defensiva”. Justamente
por reconhecer as relações de poder existentes
entre as disciplinas científicas (Fausto-Sterling,
2002) e dos perigos éticos e políticos de uma
patologização de identidades dissidentes de uma
norma de heterossexualidade compulsória (Butler,
2003), é necessário “Etnografar, contextualizar,
estabelecer redes de comunicação do modo mais
amplo possível” (Velho, 2001, p. 138) em relação
ao terreno da biologia.
A investigação realizada dos modos como os
termos “sexo” e “gênero” são utilizados nas pesquisas
em ciências da saúde permitiu, assim, dar relevo a
questões epistemológicas importantes quanto à
lógica da separação dos objetos próprios da biologia,
de um lado, e da sociologia ou antropologia, de outro.
A despeito disso, outras possibilidades filosóficas no
âmbito das biociências têm se mostrado profícuas
para tratar da diversidade biológica fora de uma
lógica binária e normativa. As teses de Roughgarden
(2005), por exemplo, revelam a formulação de uma
filosofia da biologia que não se ajusta às noções
tradicionais de uma natureza mecanicista.
Além das implicações epistemológicas, questões
éticas se expressam nessa discussão. Quando “sexo”
e “gênero” são tratados em termos de uma lógica
binária e oposta, há uma exclusão de pessoas e
identidades que não se conformam a essa norma e,
inevitavelmente, há uma invisibilidade desses sujeitos
segundo esse ponto de partida epistemológico. Não
é que essas pessoas não sejam visíveis em outros
contextos sociais, mas a pesquisa científica, ao
partir de uma visão de mundo que não permite uma
pluralidade de existências desses sujeitos em sua
própria teoria, corre o risco de cometer uma exclusão
deles, implicando em problemas éticos.
Nesse sentido, não apenas implicações
epistemológicas e éticas surgem da exclusão
dessas identidades, mas também metodológicas no
Saúde Soc. São Paulo, v.27, n.1, p.238-251, 2018 248
contexto dessas pesquisas científicas. “Isso quer
dizer que não há método descontextualizado de
compromissos filosóficos, pelo contrário, é de uma
filosofia que se deriva o método” (Lopes; Laurenti;
Abib, 2012, p. 43). Quando o olhar da pesquisadora
ou do pesquisador parte de categorias enrijecidas
e prontas que pretendem ser gerais e explicar uma
gama de fenômenos – como os termos aqui estudados
em algumas das suas versões mais normativas –, é
possível que dados importantes da pesquisa passem
despercebidos. Em outras palavras, dar atenção às
premissas filosóficas de que partem as escolhas
metodológicas da pesquisa e pensar nas suas
implicações epistemológicas e éticas significa
não tratar os conceitos de “sexo” e “gênero” como
se fossem universais e dados a priori. No fundo,
esses termos parecem poderosos para explicar e
reunir uma gama de fenômenos mais ou menos
relacionados em uma ou duas palavras. Considerar
a pluralidade de acepções desses conceitos e o
esforço de pensar em suas possibilidades de uso de
maneira contextual poderá enriquecer as análises
e a explicação científica da pesquisa.
Como já sinalizado por Laurenti (2014), é
importante que, sob a perspectiva de uma ciência
que não está deslocada da cultura ou da sociedade e
dos valores contingentes ao seu tempo, as pesquisas
científicas discutam acerca dos efeitos sociais de
seus trabalhos. Isso é realizado, por exemplo, no
trabalho de Roughgarden (2005), que pensa nas
implicações epistemológicas, éticas e políticas das
biociências, ou mesmo em Johnson, Greaves e Repta
(2007, p. 1) sobre as possibilidades de incorporação
dos conceitos de “sexo” e “gênero” “para melhorar
a ciência e para melhorar a vida de mulheres e
homens, garotos e garotas”. A simples inserção
de conceitos e termos das ciências humanas não
garante necessariamente um status de criticidade
da pesquisa; ao contrário, possibilidades no escopo
da própria biologia se mostram relevantes para
pensar seus objetos de pesquisa. Nesse contexto, as
ciências da saúde e, especialmente, a saúde coletiva,
pode se revelar profícua para o estabelecimento de
novas relações entre os conhecimentos das ciências
biológicas e das ciências humanas, produzindo
pesquisas que levem em conta as suas implicações
sociais e políticas.
No rastro dessa discussão, este estudo também
não pretende prescrever usos corretos ou incorretos
de “sexo” ou “gênero”, mas de pensar nas suas
implicações mais últimas e práticas em diferentes
âmbitos, de forma que uma visão mais ética e
pluralista desses termos seja adotada no contexto
da pesquisa. “Desse modo, a validade de um
conhecimento não é aferida pela sua suposta
aproximação de uma realidade imutável, mas pela
possibilidade de esse conhecimento abarcar de
modo crescente relações até então nunca vistas,
ou, antes, pensadas” (Lopes; Laurenti; Abib, 2012,
p. 132).
Referências
ANTUNES, M. C. et al. Diferenças na prevenção da
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Contribuição dos autores
Ambos os autores foram responsáveis pela concepção e planejamento
do estudo. Oka executou a pesquisa por meio da busca, seleção e
categorização dos artigos e redação do texto. Laurenti contribuiu
com o aprimoramento das análises, redação e revisão do texto.
Recebido: 14/07/2017
Reapresentado: 28/10/2017
Aprovado: 06/02/2018
Saúde Soc. São Paulo, v.27, n.1, p.238-251, 2018 251
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April 18, 2026
Mateus Oka
Universidade Estadual de Campinas, Graduate Student
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Social and Solidary Economy, Land Development and New Paradigms of Production and Consumption: is another development model possible?
Adriano Borges Costa
Abstract: In the current scenario, thinking about and discussing the possibility of a new development model is an opportune and pertinent task, but it is also daring and full of obstacles, which range from the theory-concept sphere, to the practical and ideological ones. As can be noticed, throughout the evolution of the capitalist production system, concurrently with the material, production and technological advances conceived, the generation of a mass of excluded and impoverished individuals and of a production and consumption pattern that neglected environmental preservation and corrupted the idea of “good living” was observed. Faced with this scenario, it is believed that there is space to promote social and solidary economy (SSE) practices and sustainability. This theme has been recently raised and it contributes greatly when constructing a sustainable development model. However, related studies are still very scarce, especially given the difficulty of measuring the sector (Tremblay 2009). Among the main attributes of the SSE, incorporating the question of sustainability as an inherent part of its proposals and of its development model is possible. With cooperation, self-management and solidarity based on mutual interests, common goals and efforts, together with a broad participation, it is possible to promote self-sustainable practices, capable of carrying out the production of goods and services with social and environmental responsibility (Morais, 2010). This study aims at fostering this discussion, in addition to analyzing some innovative land development experiments in Brazil, that fit the “new production and consumption paradigms” (Morais & Borges, 2009).
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YARAŞ, A., “1998-1999 Bergama Yortanlı Barajı Kurtarma Kazısı”, XI. Müze Çalışmaları ve Kurtarma Kazıları Sempozyumu, (24- 26 Nisan 2000 Denizli), 2001 : 105-118. (ISBN: 975-17-2560-7) (ISSN: 1300-5626)
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Inhibition of Endothelin1-Mediated Contraction of Hepatic Stellate Cells by FXR Ligand
Yifei Zhang
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Activation of hepatic stellate cells (HSCs) plays an important role in the development of cirrhosis through the increased production of collagen and the enhanced contractile response to vasoactive mediators such as endothelin-1 (ET-1). The farnesoid X receptor (FXR) is a member of the nuclear receptor superfamily that is highly expressed in liver, kidneys, adrenals, and intestine. FXR is also expressed in HSCs and activation of FXR in HSCs is associated with significant decreases in collagen production. However, little is known about the roles of FXR in the regulation of contraction of HSCs. We report in this study that treatment of quiescent HSCs with GW4064, a synthetic FXR agonist, significantly inhibited the HSC transdifferentiation, which was associated with an inhibition of the upregulation of ET-1 expression. These GW4064-treated cells also showed reduced contractile response to ET-1 in comparison to HSCs without GW4064 treatment. We have further shown that GW4064 treatment inhibited the ET-1-mediated contraction in fully activated HSCs. To elucidate the potential mechanism we showed that GW4064 inhibited ET-1-mediated activation of Rho/ROCK pathway in activated HSCs. Our studies unveiled a new mechanism that might contribute to the anti-cirrhotic effects of FXR ligands. Citation: Li J, Kuruba R, Wilson A, Gao X, Zhang Y, et al. (2010) Inhibition of Endothelin-1-Mediated Contraction of Hepatic Stellate Cells by FXR Ligand. PLoS ONE 5(11): e13955.
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Mechanisms of Na + -K + ATPase phosphorylation by PKC in the medullary thick ascending limb of Henle in the rat
Rodolfo Martin
Pflugers Archiv-european Journal of Physiology, 2003
Sodium transport correlates with varying Na+-K+-ATPase activity rates along the nephron. Whether differences in Na+-K+-ATPase regulation by protein kinase C-dependent phosphorylation are also present has not been tested. We measured the degree of Na+-K+-ATPase α1 subunit phosphorylation by the binding of McK-1 antibody to dephosphorylated Ser-23 and Na+-K+-ATPase activity in medullary thick ascending limb of Henle (mTAL) and proximal tubules (PCT). The degree of Na+-K+-ATPase phosphorylation at Ser-23 was lower in mTAL than in PCT (DU 13.43±1.99 versus 2.3±0.20, respectively, P<0.01) while Na+-K+-ATPase activity was higher in mTAL (3,402±83 vs 711±158 pmol/mm tubule per hour in PCT, P<0.01). PKC inhibitor RO-318220 10−6 M decreased phosphorylation in PCT to 125±10% (P<0.05). In mTAL, RO-318220 did not modify the phosphorylation degree or the activity of Na+-K+-ATPase. Both calcineurin inhibitor FK-506 10−6 M and phorbol 12-myristate 13-acetate (PMA) 10−6 M increased the degree of Na+-K+-ATPase phosphorylation (P<0.05) and inhibited Na+-K+-ATPase activity to 657±152 and 1,448±347 pmol/mm tubule per hour, respectively, in mTAL (P<0.01). Increase in [Na+]i to 30, 50 and 70 mM resulted in no changes in Na+-K+-ATPase phosphorylation degree or activity in mTAL. Conversely, in PCT increments in [Na+]i were paralleled by decreased phosphorylation (from 120±7 to 160±15% of controls, P<0.05) and increased Na+-K+-ATPase activity (from 850±139 to 1,874±203 pmol/mm tubule per hour, P<0.01). Dopamine (DA) 10−6 M decreased both Na+-K+-ATPase dephosphorylation to 41.85±9.58% (P<0.05) and Na+-K+-ATPase activity to 2,405±176 pmol/mm tubule per hour in mTAL (P<0.01). RO-318220 reversed DA effects. Data suggest that regulation of the degree of Na+-K+-ATPase α1 subunit phosphorylation at Ser-23 and enzyme activity have different mechanisms in mTAL than in PCT, and may help us to understand the physiological heterogeneity of both segments.
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Citoyen du monde, adorateur de l’inattendu et non seulement. Qui était-il?
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Πολιτης του κοσμου, λατρης του απροβλεπτου και οχι μόνο. Ποιος ήταν ; Citoyen du monde, adorateur de l'inattendu et non seulement. Qui était-il? Portrait d'Ado Kyrou (1966) dans le film de Jacques Nahum « Le surréalisme, démons et merveilles du cinéma », production ORTF, France Il écrivait:
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