SBVD Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática Externa 2 3 “As melhores e mais belas coisas na vida não podem ser vistas nem tocadas, devem ser sentidas com o coração.” Hellen Keller Versão 3,0 1ª Edição, 2012 ISBN 978-989-8646-07-1 9 789898 646071 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 4 Nota de Abertura Nota de abertura 5 Caro Formando, Concebido de acordo com as últimas recomendações sobre reanimação do European Resucitation Council O conceito de cadeia de sobrevivência (utilizado pela (ERC) e num formato sintético e objetivo, pretendeu-se primeira vez em finais da década de 80 e incorporado condensar a informação mais relevante num Manual de nas recomendações de 1992 sobre reanimação cárdio- leitura fácil e atrativa, focando os aspetos essenciais pulmonar, da American Heart Association) tem servido mas que não esgotam toda a informação sobre estas de base ao desenvolvimento de um volume significativo matérias. Assim, há espaço para a procura de novas de conhecimento científico que se tem traduzido informações e conhecimentos sobre SBV e DAE que (como demonstrado por vários estudos) em inúmeras também deve ser estimulada, num processo incessante vidas salvas. de melhoria contínua das competências individuais Os primeiros três elos desta cadeia são abordados de cada um. de forma específica neste Manual SBV-DAE, com o Suporte Básico de Vida (SBV) a pretender garantir Com este Manual, o INEM espera melhorar a o primeiro (reconhecimento precoce e ativação do capacidade de resposta a um problema que afeta sistema de emergência médica) e segundo (reanimação toda a comunidade, disponibilizando uma ferramenta imediata) elos da cadeia e com a Desfibrilhação valiosa para apoio à formação nestas duas áreas Automática Externa (DAE) a garantir o terceiro fundamentais garantindo um direito que é de todos (desfibrilhação precoce). nós: o direito a ser reanimado de forma adequada. Os procedimentos específicos definidos nas rec omendaç ões sobre reanimação, quando Boa formação! devidamente aplicados, aumentam de forma significativa a probabilidade de sobrevivência em Luis Meira caso de paragem cárdio-respiratória (PCR), pelo que Diretor do Departamento de Formação em Emregência a pronta e a correta execução de SBV e DAE são Médica (INEM) essenciais para reduzir a mortalidade e morbilidade (sequelas) associadas à PCR. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 6 7 ficha tÉcnica Coordenação Técnico-Científica Validado pela Comissão de Peritos Miguel Soares de Oliveira, Ana Teresa Lufinha, Presidente do Conselho Diretivo do INEM Hospital Militar Principal, Médica (Anestesiologia) Miguel Valente, António Marques, INEM (Departamento de Formação em Emergência Hospital de Santo António, Médico (Anestesiologia) Médica), Enfermeiro Armando Almeida, Rodrigo Catarino, Administração Regional de Saúde (Algarve), INEM (Departamento de Formação em Emergência Enfermeiro Médica), Enfermeiro José Artur Paiva, Hospital de São João, Médico (Medicina Interna) Cândida Durão, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, (Enfermeira) Autores Carlos Luz, Hospital Garcia de Orta, Médico (Cirurgia) Miguel Valente, INEM (Departamento de Formação Emergência Daniel Ferreira, Médica), Enfermeiro Hospital da Luz, Médico (Cardiologia) Rodrigo Catarino, Ernestina Gomes, INEM (Departamento de Formação Emergência Hospital Pedro Hispano, Médica (Anestesiologia) Médica), Enfermeiro Fernando Próspero, COLABORADORES Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro, Medico (Cirurgia) Helder Ribeiro, INEM (Delegação Regional do Sul), Enfermeiro Francisco Abecasis, Centro Hospitalar Lisboa Norte, Médico (Pediatria) Artur Martins, INEM (Departamento de Emergência Médica), Hélder Pereira, Enfermeiro Hospital Garcia de Orta, Médico (Cardiologia) João João Mendes, Centro Hospitalar Lisboa Central, Médico (Medicina Interna) Miguel Félix, Centro Hospitalar de Coimbra, Médico (Pediatria) Design e Paginação David Rafachinho SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 8 SECÇÃO 1 A CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA 1. Cadeia de sobrevivência 12 2. A desfibrilhação automática externa em Portugal 14 SECÇÃO 2 SUPORTE BÁSICO DE VIDA, ADULTO 1. Compressões torácicas 18 2. Ventilação "boca-a-boca" 20 3. Suporte Básico de Vida, Adulto 22 4. SBV com dois reanimadores 26 SECÇÃO 3 SUPORTE BÁSICO DE VIDA COM DESFIBRILHAÇÃO (SBVD), ADULTO 1. A desfibrilhação precoce 30 2. O desfibrilhador automático externo (DAE) 32 3. DAE disponivel: como utilizar? 34 4. Segurança na desfibrilhação 38 SECÇÃO 4 SBV E SBVD PEDIÁTRICO 1. Modificações em Pediatria 42 2. Algoritmos Pediátricos: SBV e SBVD 46 SECÇÃO 5 VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VIA AÉREA 1. Adjuvantes da via aérea 50 2. Tubo orofaríngeo 52 3. Tubo nasofaríngeo 54 4. Aspiração de secreções 56 5. Ventilação com máscara de bolso 58 6. Ventilação com insuflador manual 60 7. Considerações sobre a via aérea 62 SECÇÃO 6 DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA 1. Obstrução da via aérea 66 2. Algoritmo de desobstrução da via aérea: adulto e criança 68 3. Algoritmo de desobstrução da via aérea no lactente 70 SECÇÃO 7 CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS 1. Posição lateral de segurança 74 2. Riscos para o reanimador 76 3. Folha de registo nacional de PCR, pré-hospitalar 78 SECÇÃO 8 SIGLAS 82 BIBLIOGRAFIA 84 9 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 10 SECÇÃO 1 A CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA 11 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 12 SECÇÃO 1 CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA 1. CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA SECÇÃO 1 Cadeia de Sobrevivência A CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA 13 Salvar uma vida envolve uma sequência de passos notas: Cada um deles influencia a sobrevivência. Esses passos são frequentemente descritos como os elos da “cadeia de sobrevivência”. Reconhecimento precoce e pedido de ajuda Os serviços de emergência devem ser chamados de imediato se se suspeitar, por exemplo, de um enfarte agudo do miocárdio ou de uma paragem cardiorrespiratória (PCR). O número universal de emergência nos países da união europeia é o 112. Suporte Básico de Vida (SBV) precoce para ganhar tempo Se ocorrer uma PCR (o coração pára), iniciar compressões torácicas e ventilações (SBV) de imediato poderá duplicar as hipóteses da vítima sobreviver. Desfibrilhação precoce para reiniciar o coração Na maioria dos casos de PCR o coração pára de bater, eficazmente, devido a uma perturbação do ritmo designada fibrilhação ventricular (FV). O único tratamento eficaz para a FV é a administração de um choque elétrico (desfibrilhação). A probabilidade de sucesso da desfibrilhação decresce entre 7 a 10% por minuto após o colapso, a não ser que o SBV seja realizado (Cummins, 1989). Cuidados pós reanimação para recuperar com qualidade de vida Após uma reanimação com sucesso os reanimadores podem aumentar as possibilidades de recuperação. Para os leigos, isto pode passar apenas pela colocação da vítima em posição lateral de segurança. Os profissionais de saúde devem usar técnicas diferenciadas para optimizar a recuperação. Figura 1: Cadeia de sobrevivência SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 14 SECÇÃO 1 CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA 2. A DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA EM PORTUGAL SECÇÃO 1 A desfibrilhação automática externa em A CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA Portugal 15 O 3º "ELO" da cadeia sobrevivência, comunicando a situação ao INEM notas: através do Número Europeu de Emergência – 112; de sobrevivência • Sempre que possível, a comunicação através do A desfibrilhação precoce enquanto objetivo é difícil 112 deve ser prévia à prática de um ato de DAE; de atingir, se efetuada apenas por médicos, já que a • Existência de um médico responsável pelo paragem cardiorrespiratória (PCR) ocorre, na maioria programa de DAE; das vezes, em ambiente pré-hospitalar. Face a esta • Que o médico responsável pelo programa de realidade, foi instituída e/ou regulamentada, em muitos DAE possua experiência relevante em medicina países, a desfibrilhação por não médicos. de emergência ou de urgência, em cuidados intensivos ou em cardiologia; O International Liaison Committee On Resuscitation • Disponibilidade de dispositivos de desfibrilhação (ILCOR) recomenda que, em muitas circunstâncias, automática externa; profissionais não médicos possam ser autorizados e • Dependendo da natureza do programa, existam incentivados a utilizar desfibrilhadores automáticos operacionais de DAE em número suficiente (ex. externos, e o European Resuscitation Council defende capazes de dar reposta em tempo oportuno) que cada ambulância seja dotada de capacidade para assegurar o período de funcionamento do de desfibrilhação automática. O desenvolvimento programa de DAE; técnico dos denominados “desfibrilhadores automáticos • Existência de um responsável pelo controlo das externos” (DAE) permite hoje a sua utilização necessidades formativas para manter o programa; segura, desde que operados por pessoal treinado • Existência de registos de todas as utilizações dos especificamente para o efeito. DAE e que estes possuam características que Numa declaração conjunta sobre a prática da permitam a posterior análise dessas utilizações; desfibrilhação automática, o Conselho Português • Existência de um permanente controlo de de Ressuscitação e a Sociedade Portuguesa qualidade de todas as etapas do programa. de Cardiologia assumiram, para Portugal, as recomendações do ILCOR, e consideram que a utilização de DAE por não médicos “só pode ser autorizada e legalizada se integrada em modelo organizativo que tenha controlo médico e auditoria médica qualificados”. Em 12 de agosto de 2009 foi publicado o decreto-lei nº 188/2009, que estabelece as regras a que se encontra sujeita a prática de atos de DAE por não médicos, bem como a instalação e utilização de desfibrilhadores automáticos externos no âmbito quer Figura 2: Simbolo internacional do DAE do sistema integrado de emergência médica (SIEM), quer de programas de desfibrilhação em locais de acesso ao público. De acordo com este decreto-lei, o ato de desfibrilhação, ainda que realizado através de desfibrilhadores automáticos, só pode ser realizado por não médicos com a delegação de um médico, sob a sua supervisão e desde que integrado num programa de desfibrilhação automática externa previamente licenciado pelo INEM. De acordo ainda com os princípios emanados em decreto-lei, a prática de atos de DAE por operacionais não médicos, em ambiente extra-hospitalar, só é permitida desde que se cumpram as seguintes condições gerais: • A prática de atos de DAE seja praticada sob supervisão médica; • Os atos de DAE estejam obrigatoriamente inseridos em programas de DAE e integrados no modelo de organização da cadeia de sobrevivência previsto para Portugal; • Quem, perante uma situação de paragem cardiorrespiratória, pratica o ato de DAE em ambiente pré-hospitalar, deve diretamente ou através de qualquer outra pessoa que designe para o efeito, ativar o primeiro elo da cadeia de SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 16 SECÇÃO 2 SUPORTE BÁSICO DE VIDA, ADULTO 17 Figura 3 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 18 SECÇÃO 2 SBV, ADULTOS 1. COMPRESSÕES TORÁCICAS SECÇÃO 2 Compressões torácicas SBV, ADULTO 19 Os dois elementos fundamentais do SBV são as notas: compressões torácicas e as ventilações. São as compressões torácicas que mantêm o fluxo de sangue para o coração, o cérebro e outros órgãos vitais. Para aplicar corretamente compressões torácicas num adulto: 1. Posicionar-se ao lado da vítima; 2. Certificar-se que a vítima está deitada de costas, sobre uma superfície firme e plana; 3. Afastar/remover as roupas que cobrem o tórax da vítima; 4. Colocar a base de uma mão no centro do tórax, entre os mamilos; 5. Colocar a outra mão sobre a primeira entrelaçando os dedos; 6. Braços e cotovelos esticados, com os ombros na direção das mãos; Figura 4 7. Aplicar compressão sobre o esterno, deprimindo o esterno 5-6 cm a cada compressão (as compressões torácicas superficiais podem não produzir um fluxo sanguíneo adequado); 8. No final de cada compressão garantir a re- expansão total do tórax, aliviando toda a pressão sem remover as mãos do tórax (o retorno completo da parede torácica permite que mais sangue encha o coração entre as compressões torácicas); 9. Aplicar compressões de forma rítmica a uma frequência de pelo menos 100 por minuto, mas não mais do que 120 por minuto (a evidência científica demonstra que esta frequência produz um fluxo sanguíneo adequado e melhora a sobrevivência; ajuda se contar as compressões em voz alta); 10. NUNCA INTERROMPER AS COMPRESSÕES MAIS DO QUE 5 SEGUNDOS (com o coração parado, quando não se comprime o tórax, o sangue não circula). Figura 5 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 20 SECÇÃO 2 SBV, ADULTOS 2. ventilação "boca-a-boca" SECÇÃO 2 Ventilação "boca-a-boca" SBV, ADULTO 21 Na impossibiiidade de utilizar um adjuvante da notas: VA (máscara de bolso ou insuflador manual), a ventilação “boca-a-boca” é uma maneira rápida e eficaz de fornecer oxigénio à vítima. O ar exalado pelo reanimador contém aproximadamente 17% de oxigénio e 4% de dióxido de carbono, o que é suficiente para suprir as necessidades da vítima. Para ventilar adequadamente uma vítima adulta: 1. Posicionar-se ao lado da vítima; 2. Permeabilizar a VA (a posição incorreta da cabeça pode impedir a ventilação adequada por OVA): • Colocar uma mão na testa da vítima e empurrar com a palma da mão, inclinando a cabeça para trás (extensão da cabeça); • Colocar os dedos da outra mão por baixo da parte óssea da mandíbula, perto do queixo (pressão excessiva nos tecidos moles por baixo do queixo podem obstruir a VA); • Elevar a mandíbula, levantando o queixo da vítima (Atenção: não feche a boca da vítima!); 3. Aplicar 2 ventilações na vítima, mantendo a VA permeável: • Com a mão na testa da vítima comprimir as Figura 6 narinas da vítima; • Respirar normalmente e selar os lábios ao redor da boca da vítima; • Aplicar 1 ventilação (soprar por 1 segundo; esta duração maximiza a quantidade de O2 que chega aos pulmões, com menor probabilidade de distensão gástrica), observando se existe a elevação do tórax da vítima. Cada insuflação deve ser suficiente para provocar elevação do tórax como numa respiração normal (se o tórax não se elevar, repetir as manobras de permeabilização da VA); • Aplicar uma segunda ventilação, observando se existe elevação do tórax; • Caso uma ou ambas as tentativas de Figura / insuflação se revelem ineficazes, deve avançar de imediato para as compressões torácicas. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 22 SECÇÃO 2 SBV, ADULTOS 3. SUPORTE BÁSICO DE VIDA, ADULTO SECÇÃO 2 SBV, Adulto SBV, ADULTO 23 notas: Condições de Segurança Avaliar Consciência Gritar por Ajuda Permeabilizar Via Aérea Respiração NORMAL? Ligar 112 30 Compressões Torácicas 2 Insuflações Manter SBV 30:2 Figura 8: Algoritmo de SBV Adulto SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 24 notas: Avaliar as condições Permeabilizar a VA de segurança Numa vítima inconsciente a queda da língua pode bloquear a VA. Esta pode ser permeabilizada pela Aproximar-se da vítima com cuidado, garantindo extensão da cabeça e pela elevação do queixo, que não existe perigo para si, para a vítima ou para o que projeta a língua para a frente. terceiros (atenção a perigos como por exemplo: tráfego, eletricidade, gás ou outros). Avaliar o estado de consciência Abanar os ombros com cuidado e perguntar em voz alta: “Sente-se bem?”. Se a vítima não responder gritar por AJUDA. Figura 11 Se tiver ocorrido trauma ou suspeita de trauma, devem ser tomadas medidas para proteção da coluna da vítima e não deve ser realizada a extensão da cabeça. Como alternativa, deverá ser realizada a protusão (sub-luxação) da mandíbula (requer um reanimador à cabeça para estabilização/controlo da coluna cervical e Figura 9 manutenção da VA permeável). Para efetuar a protusão da mandíbula: Gritar por AJUDA • Identificar o ângulo da mandíbula com o Se houver alguém perto peça para ficar ao pé de dedo indicador; si, pois pode precisar de ajuda. • Com os outros dedos colocados atrás do Se estiver sozinho grite alto para chamar a ângulo da mandíbula, aplicar uma pressão atenção, mas sem abandonar a vítima. mantida para cima e para frente de modo a levantar o maxilar inferior; • Usando os polegares, abrir ligeiramente a boca através da deslocação do mento para baixo. Respiração NORMAL? Avaliar a ventilação/respiração Mantendo a VA permeável, verificar se a vítima respira NORMALMENTE, realizando o VOS até Figura 10 10 segundos: • Ver os movimentos torácicos; • Ouvir os sons respiratórios saídos da boca/ nariz; • Sentir o ar expirado na face do reanimador. Figura 12 SECÇÃO 2 SBV, Adulto SBV, ADULTO 25 Algumas vítimas, nos primeiros minutos após uma PCR, podem apresentar uma respiração ineficaz, IniciAR Compressões notas: irregular e ruidosa. Não deve ser confundido com Torácicas respiração normal. Fazer 30 compressões deprimindo o esterno 5-6 cm a uma frequência de pelo menos 100 por Se a vítima ventila normalmente colocar em minuto e não mais que 120 por minuto. Posição lateral de segurança (PLS) (Ver Secção 7 deste manual) Figura 13 Ligar 112 Figura 15 Se a vítima não responde e não tem ventilação normal ative de imediato o sistema de emergência Iniciar Ventilações médica, ligando 112. Após 30 compressões fazer 2 ventilações. • Reanimador único: Se necessário abandone Se não se sentir capaz ou tiver relutância em fazer a vítima/local; ventilações, faça apenas compressões torácicas. • Se estiver alguém junto a si, deve pedir a Se apenas se fizerem compressões, estas devem essa pessoa que ligue 112; ser contínuas, cerca de 100 por minuto (não • Se CRIANÇA ou vítima de afogamento existindo momentos de pausa entre cada 30 (qualquer idade) só deve ligar 112 após 1 compressões). minuto de SBV. Após ligar 112: • Se DAE DISPONÍVEL, ligue-o e siga as indicações do DAE; • Se não há DAE disponível inicie SBV. Figura 16 Manter SBV Manter 30 compressões alternando com 2 ventilações. PARAR apenas se: • Chegar ajuda (profissionais diferenciados); • Estiver fisicamente exausto; • A vítima recomeçar a ventilar normalmente. Figura 14 30 2 Figura 17 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 26 SECÇÃO 2 SBV, ADULTOS 4. SBV COM DOIS REANIMADORES SECÇÃO 2 SBV com dois reanimadores SBV, ADULTO 27 Se estiverem presentes dois elementos com treino notas: em SBV, quando o elemento que foi efetuar o pedido de ajuda diferenciada regressar, deve entrar para as compressões torácicas, aproveitando o tempo em que o primeiro elemento efetua as 2 insuflações para localizar o ponto onde deverá fazer as compressões. Deste modo reduzem-se as perdas de tempo desnecessárias. REDUZIR PERDAS DE TEMPOS EM MANOBRAS DE SBV: • Iniciar as compressões logo que esteja feita a segunda insuflação (não é necessário aguardar que a expiração se complete passivamente); • As mãos devem ser mantidas sempre em contacto com o tórax, mesmo durante as insuflações (nesta fase não exerça qualquer pressão, caso contrário aumenta a resistência à insuflação de ar, podendo causar ventilação ineficaz com insuflação gástrica e consequente regurgitação); • O reanimador que está a fazer as insuflações deverá preparar-se para iniciar as mesmas logo após a 30ª compressão, com o mínimo de perda de tempo possível. TROCA DE REANIMADORES EM MANOBRAS DE SBV A necessidade de efetuar compressões “com força e rápidas” leva naturalmente à fadiga do reanimador, pelo que se torna necessário trocar. A troca deve ser efetuada perdendo o mínimo de tempo possível a cada 2 minutos de SBV (5 ciclos de 30:2). Logo que complete a 5ª série de 30 compressões o mesmo reanimador deve efetuar de seguida as duas insuflações. Durante esse período o outro reanimador localiza o ponto de apoio das mãos, para que, uma vez terminada a segunda insuflação, possa fazer de imediato compressões. As manobras de SVB a 2 reanimadores requerem treino para que não haja perda de tempo e execução incorreta das manobras. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 28 SECÇÃO 3 SBVD ADULTO 29 Figura 18 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 30 SECÇÃO 3 SBVD ADULTO 1. A DESFIBRILHAÇÃO PRECOCE SECÇÃO 3 A desfibrilhação precoce SBVD, ADULTO 31 A desfibrilhação precoce é fundamental para vítimas notas: de PCR súbita pelas seguintes razões: • O ritmo inicial mais comum em casos de PCR (testemunhada) é a fibrilhação ventricular (FV). Quando a FV está presente, o coração passa a apresentar apenas tremulação ineficaz e não bombeia o sangue; • O único tratamento eficaz para a FV é a desfibrilhação elétrica (aplicação de um choque para terminar a FV e retomar um ritmo cardíaco eficaz); • A probabilidade de uma desfibrilhação, bem sucedida diminui rapidamente com o passar do tempo. Quanto mais precoce for a desfibrilhação, maior será a taxa de sobrevivência. Sem manobras de SBV precoces, a probabilidade de sobrevivência a uma PCR com FV diminui em 7 a 10% por cada minuto em que a desfibrilhação não é efetuada (Cummins, 1989); • A FV não tratada evolui para a Assistolia (ritmo sem indicação para choque). Figura 19: Coração a entrar num ritmo de FV % Sucesso Tempo (minutos) Figura 20: Sucesso da desfibrilhação precoce sem manobras de SBV SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 32 SECÇÃO 3 SBVD ADULTO 2. O DESFIBRILHADOR AUTOMÁTICO EXTERNO (DAE) SECÇÃO 3 O desfibrilhador automático externo (DAE) SBVD, ADULTO 33 O DAE é um dispositivo computorizado que é conetado por elétrodos adesivos a uma vítima SEM SINAIS DE Pacemakers e/ou CDI notas: Algumas vítimas são portadoras de pacemaker e/ou VIDA. A maioria dos DAE opera da mesma maneira CDI (Cardioversor Desfibrilhador Implantado). e tem componentes similares. Este dispositivo só Geralmente visíveis debaixo da pele do tórax logo recomenda a aplicação do choque se o ritmo cardíaco abaixo da clavícula. Estes dispositivos têm uma da vítima for passível de tratamento por choque. O DAE componente metálica na qual pode ser absorvida fornece mensagens sonoras e visuais para orientar parte da corrente utilizada na desfibrilhação, este facto as ações do reanimador. reduz a quantidade de energia que chega ao coração reduzindo a eficácia da mesma. O termo automático, significa que o DAE informa o Assim, deve assegurar-se que as placas auto-adesivas seu operador que o choque é necessário (ou não). não são colocadas em cima mas ao lado ou abaixo do A diferença fundamental entre um DAE totalmente pacemaker e/ou CDI (afastadas pelo menos 2,5 cm). automático ou semi-autonámico é que no segundo não Se o desfibrilhador implantado estiver a aplicar choques é aplicado o choque sem uma ação do reanimador (ou à vítima, aguardar 30-60 segundos antes de aplicar seja, este deve pressionar o botão CHOQUE quando o choque com o DAE. indicado pelo DAE). Fatores que podem Joalharia Remova qualquer peça de joalharia em metal que possa afetar a análise estar em contacto com as placas auto-adesivas do DAE do DAE: pela mesma razão apresentada para os pacemaker e/ ou CDI. As placas auto-adesivas devem permanecer • Movimento da própria vítima (ex. ventilação afastadas das peças não removíveis, como piercings. espontânea após recuperação de sinais de circulação); • Mobilização da vítima (pelo reanimador e/ou Adesivos transdérmicos outros). Remova adesivos ou qualquer outro material colado à pele da vítima para assegurar um bom contacto das placas auto-adesivas do DAE. Algumas vítimas podem aspetos importantes ao ter medicamentos de absorção transcutânea na parede torácica que devem ser removidos (limpando a área usar um DAE: de fixação), de forma a evitar: Os DAE são extremamente seguros, principalmente • Faíscas ou queimaduras durante a desfibrilhação; quando usados adequadamente. • O bloqueio da transferência de energia para o coração e causar pequenas queimaduras na pele. Com o DAE deve existir: • Pequena toalha/lenços; • Lâmina de barbear; • Máscara facial; • Luvas de proteção. Tórax húmido Algumas vítimas podem ter o tórax húmido (ex. sudorese, pré-afogamento). O tórax húmido faz divergir a corrente pela superfície do tórax diminuindo a eficácia da desfibrilhação. Seque rapidamente o tórax antes de colocar as placas auto-adesivas. Tórax com pêlos Raramente os pêlos torácicos poderão causar um problema na aderência das placas auto-adesivas. Nestas situações poderá ser necessário rapar/cortar os pêlos com a lâmina de barbear para conseguir um adequado contacto (não deve ser feito por rotina – gasto de tempo valioso!). SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 34 SECÇÃO 3 SBVD ADULTO 3. DAE DISPONÍVEL: COMO UTILIZAR? SECÇÃO 3 DAE disponível: Como utilizar? SBVD, ADULTO 35 Condições de Segurança Avaliar Consciência Gritar por Ajuda Permeabilizar Via Aérea Respiração NORMAL? Ligar 112 Ligar DAE Ligar DAE Retirar placas auto-adesivas Seguir as instruções Colocar 1ª placa auto-adesiva Figura 21: Algoritmo de SBVD Adulto Colocar 2ª placa auto-adesiva Seguir indicações do DAE Administrar o CHOQUE Iniciar SBV Figura 22: Como utilizar o DAE SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 36 notas: Ligar o DAE Seguir indicações • Alguns DAE ligam automaticamente ao abrir do DAE a tampa, com outros é necessário pressionar Afastar da vítima durante a análise (o DAE leva o botão ON; 5-15 segundos para analisar o ritmo). • Ao ligar acionará as mensagens sonoras e Assegure-se que ninguém toca na vítima durante visuais para o orientar em todos os passos a análise do ritmo cardíaco pelo DAE. subsequentes; O DAE informa se o choque é necessário. • Enquanto estiver a operar o DAE, se um Enquanto o DAE acumula a energia necessária ao 2º reanimador estiver presente, deve ser CHOQUE, sendo possível, deverão ser mantidas ele a prosseguir com as manobras de SBV as compressões torácicas. (compressões-ventilações); • Remover as roupas do tórax da vítima e garantir condições de segurança para a aplicação das placas auto-adesivas. Figura 24 Administrar o CHOQUE Figura 23 Se o choque estiver indicado: • Assegure-se que todos estão afastados da vítima; Retirar as placas • Pressione o botão choque como indicado (o auto-adesivas choque produzirá uma contração súbita dos músculos da vítima). para fora • Retirar as placas auto-adesivas da embalagem; Iniciar SBV • Geralmente, a posição correta das placas Siga as instruções verbais do DAE: vem ilustrada no pacote ou nas próprias • Se o DAE mandar iniciar SBV, comece placas auto-adesivas; compressões torácicas e ventilações de • Conetar os cabos ao DAE (alguns dipositivos imediato; já estão pré-conetados). • Ao fim de 2 minutos de SBV (5 ciclos de compressões-ventilações) o DAE recomendará que se repita a análise do Colar a primeira ritmo cardíaco da vítima; placa auto-adesiva • Se em qualquer momento a vítima apresentar Uma placa auto-adesiva deve ser colocada abaixo sinais de vida: mexer, abrir os olhos e ventilar da axila esquerda. normalmente, PARE O SBV, mas deixe as placas auto-adesivas no tórax (não desligue o DAE). Se a vítima continuar inconsciente, Colar a segunda coloque-a em posição lateral de segurança. placa auto-adesiva A outra placa auto-adesiva deve ser colocada abaixo da clavícula direita, junto ao esterno. SECÇÃO 3 DAE disponível: Como utilizar? SBVD, ADULTO 37 notas: 30 2 Figura 25 SBVD COM 2 REANIMADORES A organização de uma equipa de reanimadores que assiste a uma PCR é fundamental. Nesse sentido o papel que cada reanimador desempenha, pode ser definido da seguinte forma: Reanimador 1 e Reanimador 2. Reanimador 1: • Transporta o DAE; • Avalia condições de segurança; • Avalia a vítima; • Opera o DAE; • Segue os comandos do DAE; • Zela pela segurança; • Efetua manobras de SBV quando indicado. Reanimador 2: • Avalia condições de segurança; • Pede ajuda diferenciada; • Efetua manobras de SBV; • Zela pela segurança. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 38 SECÇÃO 3 SBVD ADULTO 4. SEGURANÇA NA DESFIBRILHAÇÃO SECÇÃO 3 A segurança na desfibrilhação SBVD, ADULTO 39 Uma das principais preocupações de qualquer 2. Durante a análise ninguém poderá estar em notas: reanimador tem a ver com a segurança; não apenas contacto com a vítima, na medida em que com a sua própria segurança, mas também com a das qualquer movimento poderá induzir artefactos vítimas e com a dos seus colegas de equipa. e consequentemente erros na interpretação. 3. A propósito de movimentos, o mesmo raciocínio Os problemas relacionados com a segurança podem ser se aplica durante o transporte em ambulância, atribuídos à falha do equipamento, a erro do operador pelo que a marcha deverá ser interrompida e o ou a uma deficiente manutenção. Relativamente a este motor desligado sempre que seja necessária último aspeto, o programa de manutenção deverá uma primeira análise de ritmo. corresponder às indicações do fabricante, podendo 4. Igualmente por motivos de segurança, a por isso variar consoante o modelo em causa. desfibrilhação dentro de elevadores está desaconselhada. À equipa de reanimadores compete zelar pelas 5. Quando a reanimação é levada a cabo por uma condições de segurança no local e ao operador equipa de tripulantes de ambulância, o oxigénio do equipamento em particular compete garantir o fará parte do equipamento disponível junto da cumprimento das normas específicas da desfibrilhação, vítima. Aquando do choque, a fonte de oxigénio tais como: deverá ser afastada pelo menos um metro da área de desfibrilhação. 1. O desfibrilhador só é utilizado em vítimas cuja paragem cardíaca foi confirmada. Os elétrodos devem ser colados, respeitando as posições já referidas e havendo o cuidado de garantir que: • O tórax da vítima está devidamente seco pois nenhuma vítima molhada deve ser desfibrilhada. Se for uma ocorrência sob chuva, por exemplo, a vítima deve ser removida para local abrigado e só depois de secar convenientemente o tórax poderá ter lugar a desfibrilhação; • O excesso de pêlos foi removido; • Foram retirados adesivos transdérmicos (e limpa área de fixação à pele); • Foram tidos os cuidados já descritos no que respeita a pacemaker e/ou CDI, bem como joalharias. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 40 SECÇÃO 4 SBV E SBVD PEDIÁTRICO 41 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 42 SECÇÃO 4 SBV E SBVD PEDIÁTRICO 1. MODIFICAÇÕES EM PEDIATRIA SECÇÃO 4 Modificações em Pediatria SBV E SBVD PEDIÁTRICO 43 Criança: 1 ano de idade até à puberdade. Técnicas de Ventilação notas: Lactente: do 28º dia de vida até ao 1 ano de idade. Realizar Ventilação “Boca-a-boca-e-nariz” (método preferível) e/ou “Boca-a-boca”. Lactentes e crianças que desenvolvem PCR Insuflações iniciais: devem ser efetuadas 5 insuflações apresentam, frequentemente, doenças respiratórias (cerca de 1 segundo cada) mantendo a VA permeável. que reduzem o nível de O2, o que origina a PCR. Quantidade de ar para as ventilações (fornecer somente o ar suficiente para elevar o tórax da vítima). O algoritmo de SBV em criança é similar ao do adulto pelo que as crianças podem ser reanimadas com sucesso utilizando o algoritmo de adultos. As diferenças devem-se sobretudo à adequação da técnica ao tamanho menor da criança, com o tórax a dever ser deprimido pelo menos em 1/3 da sua altura. Permeabilização da VA Em lactente e/ou criança pequena: abrir a VA posicionando o lactente/criança de modo a que o pescoço fique em uma posição neutra (canal auditivo externo ao nível da extremidade anterior do ombro). Figura 29: Ventilação "boca-a-boca" na criança A extensão da cabeça (para além da posição neutra, pode obstruir a VA do lactente e/ou criança pequena. Figura 30: Ventilação “boca-a- nariz-boca” Figura 26: Posição neutra no lactente Figura 27: Subluxação da mandíbula Figura 28: Elevação do mento SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 44 Compressões Torácicas Pesquisar sinais de vida notas: Profundidade das compressões (deprimir 1/3 a ½ da Após as insuflações iniciais observar se há sinais altura do tórax). de vida (sinais de circulação): movimento, tosse ou Possibilidade de compressões torácicas com apenas ventilação NORMAL. uma das mãos em crianças muito pequenas. Técnicas Profissionais de saúde com treino em verificação de de compressões torácicas em lactentes: técnica do pulso podem procurar palpar um pulso central enquanto abraço com dois polegares (as mãos do reanimador são procuram outros sinais de circulação: posicionadas de modo a envolver o tórax do lactente • Em lactentes: Artéria braquial ou femoral; e apoiar o dorso), ou técnica com dois dedos (trace • Crianças e adultos: Carótida ou femoral. uma linha imaginária entre os mamilos, posicionando 2 dedos sobre o esterno, imediatamente abaixo dessa Se não há sinais de vida devem ser iniciadas “linha”). compressões torácicas, a menos que o reanimador tenha a CERTEZA de que consegue palpar um pulso central com frequência > 60 bat/min. Figura 35: Palpação do pulso braquial Figura 31: Compressões torácicas, técnica de uma mão Figura 36: Palpação do pulso carotídeo Relação entre CompressõeS e Figura 32: Compressões torácicas, técnica de duas mãos Ventilações Quando reanimador único (sozinho) deve manter o rácio de compressão-ventilação de 30:2 em vítimas de todas as idades; Em pediatria, na possibilidade de realizar manobras de SBV com 2 reanimadores (profissionais de saúde) devem usar a relação compressão-ventilação 15:2. Quando ligar 112? Estando acompanhado peça a alguém para ligar Figura 33: Compressões torácicas no lactente, 112 enquanto inicia SBV; Sendo reanimador único técnica dos dois dedos (sozinho) só deve abandonar a criança para pedir ajuda diferenciada, após cumprir 1 minuto de manobras de SBV (3 ciclos de 30:2). Se se tratar de um lactente (pequeno) e não apresentar ferimentos, pode transportá-lo enquanto liga 112, para poder continuar/retomar a RCP. Figura 34: Compressões torácicas no lactente, técnica do abraço (dois polegares) SECÇÃO 4 Modificações em Pediatria SBV E SBVD PEDIÁTRICO 45 Quando utilizar o DAE? notas: Os DAE standard são adequados para crianças com mais de 8 anos (ou mais de 25 Kg); Em crianças entre 1 e 8 anos, utilizar um DAE com sistema atenuador de corrente (aplicam menor energia) e placas auto- adesivas de tamanho pediátrico, se disponíveis. Não dispondo das placas e/ou sistema atenuador de corrente, o DAE deve ser usado tal como no adulto. Lactentes (menos de 1 ano de vida), têm uma menor incidência de ritmos desfibrilháveis e a prioridade na reanimação dever ser SBV de alta qualidade, não devendo a utilização de um DAE atrasar este SBV. Se um DAE for aplicado e aconselhar um choque num lactente SEM SINAIS DE CIRCULAÇÃO, este deve ser administrado. Em crianças pequenas, ou se estiverem apenas disponiveis elétrodos/placas de adulto, devem ser colocados nas paredes anterior e posterior do tórax (evitando o contato entre os dois elétrodos). Figura 37: Utilização de DAE na criança em PCR A relação compressões-ventilações é de 15:2 quando a reanimação é efetuada por profissionais de saúde. No caso de reanimador único (sozinho) efetuar manobras de SBV durante 1 minuto antes de ligar 112. Se acompanhado, outro elemento deve pedir ajuda precocemente. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 46 SECÇÃO 4 SBV E SBVD PEDIÁTRICO 2. ALGORITMOS PEDIÁTRICOS: SBV E SBVD SECÇÃO 4 Algoritmos pediátricos: SBV e SBVD SBV E SBVD PEDIÁTRICO 47 Condições de Segurança Condições de Segurança Responde a estímulos? Responde a estímulos? Gritar por Ajuda Gritar por Ajuda Permeabilizar Via Aérea Permeabilizar Via Aérea Respiração NORMAL? Respiração NORMAL? 5 Insuflações iniciais 5 Insuflações iniciais Pesquisar Pesquisar SINAIS DE VIDA SINAIS DE VIDA Compressões Torácicas Compressões Torácicas SBV 1 minuto SBV 1 minuto 30:2 30:2 Ligar 112 Ligar 112 Figura 38: Algoritmo de SBV Pediátrico Ligar DAE Seguir as instruções Figura 39: Algoritmo de SBVD Pediátrico SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 48 SECÇÃO 5 VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VIA AÉREA 49 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 50 SECÇÃO 5 VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VIA AÉREA 1. adjuvantes da via aérea SECÇÃO 5 Adjuvantes da Via Aérea VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VA 51 A permeabilização da via aérea e o restabelecimento notas: da ventilação são objetivos essenciais em SBV, com o propósito de evitar lesões por hipóxia nos órgãos nobres, em particular no cérebro. Uma vez reconhecida a obstrução da via aérea é necessário proceder de imediato à sua permeabilização. Existem algumas técnicas com adjuvantes que devem ser do conhecimento dos profissionais de saúde envolvidos na prestação de socorro. Acessórios simples são, muitas vezes, úteis, e por vezes essenciais, para manter a permeabilidade da via aérea, particularmente quando a reanimação é prolongada. Os tubos orofaríngeos e nasofaríngeos evitam a queda da língua, num doente inconsciente, mas a extensão da cabeça ou a protusão da mandíbula Figura 41: Vítima inconsciente podem também ser necessária. A posição da cabeça e do pescoço deve ser mantida com o objetivo de conseguir o alinhamento da via aérea. Depois de cada intervenção é necessário confirmar sempre o resultado efetuando o VOS. É fundamental o conhecimento das várias técnicas e dispositivos para uma correta utilização na prática: via orofaríngea, via nasofaríngea e aspiração. Cavidade nasal Nasofaringe Orofaringe Laringofaringe Figura 42: Técnica de sub-luxação da mandíbula Figura 40: As secções da via aérea superior SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 52 SECÇÃO 5 VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VIA AÉREA 2. TUBO orofaríngeo SECÇÃO 5 Tubo Orofaríngeo VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VA 53 O tubo orofaríngeo, também conhecido por Guedel, é Técnica para colocação notas: um tubo de plástico curvo, rígido e achatado que se ajusta bem entre a língua e o palato duro. do tubo orofaríngeo Existem vários tamanhos desde tubos apropriados para • Selecionar o tubo indicado; recém-nascidos até tubos para adultos. A escolha do • Abrir a boca e verificar se não existem corpos tamanho do tubo deve ser feita por medição prévia estranhos que possam ser empurrados para a à sua inserção. faringe durante a introdução do tubo; O tubo ideal tem o comprimento correspondente à • Se forem visíveis, retirá-los previamente à distância entre a altura dos incisivos e o ângulo da inserção do tubo; mandíbula. • Introduzir o tubo na cavidade oral em posição Se o tubo orofaríngeo for pequeno, a parte distal do invertida, isto é, com a parte côncava virada tubo não consegue ultrapassar a base da língua não para o palato; produzindo o efeito de desobstrução. • Introduzi-lo até passar o palato duro e então Se o tubo for demasiado grande, pode empurrar a rodá-lo 180º, de forma que a parte côncava fique língua para trás (a epiglote contra o orifício glótico) e virada para a língua, e continuar a empurrar em tapar a passagem de ar para a traqueia. direção à faringe; O tubo orofaríngeo só deve ser utilizado em vítimas • Se a qualquer momento sentir que a vítima reage que se encontram inconscientes e não reativas. Se a à introdução do tubo (ex. tossindo) deve retirá-lo; vítima mantiver reflexos a nível da faringe, a introdução • Após a colocação do tubo orofaríngeo deve ser do tubo orofaríngeo pode induzir o vómito ou provocar confirmada de novo a permeabilidade da via um espasmo laríngeo. aérea, efetuando o VOS; • O tubo orofaríngeo nos lactentes e crianças pequenas é introduzido na posição em que irá ficar na orofaringe pois, devido à fragilidade da orofaringe nas crianças, a sua introdução invertida tem o risco de provocar dano e consequente hemorragia. Figura 43: Tubos orofaríngeos Figura 45: Colocação do tubo orofaríngeo Figura 44: Medição do tubo orofaríngeo (distância entre a altura dos incisivos Figura 46: Tubo orofaríngeo na posição correta e o ângulo da mandíbula) SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 54 SECÇÃO 5 VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VIA AÉREA 3. TUBO NASOFARÍNGEO SECÇÃO 5 Tubo Nasofaríngeo VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VA 55 O tubo nasofaríngeo é um tubo de plástico maleável, biselado numa das extremidades e com um rebordo na Técnica para colocação do tubo notas: outra extremidade. Como o nome indica, é introduzido nasofaríngeo por uma narina devendo a extremidade biselada ficar • Confirmar a permeabilidade da narina; na faringe. • Lubrificar o tubo; Este tubo é melhor tolerado que o tubo orofaríngeo, • A inserção do tubo deve ser efetuada com a no caso de doentes que não estão inconscientes (com extremidade da ponta biselada encostada à reflexo faríngeo mantido). Pode ainda ser colocado asa do nariz de forma a evitar os cornetos e em situações em que não é possível conseguir a consequente hemorragia. colocação do tubo orofaríngeo, como acontece na • Inserir com pequenos movimentos de torção; impossibilidade de abrir a boca da vítima. • Introduzir o comprimento calculado até que a O tubo nasofaríngeo não pode ser colocado em extremidade biselada fique na faringe; doentes com trauma crânio encefálico e/ou da face, • Se for sentida alguma resistência durante a por suspeita de fratura da base do crânio. introdução do tubo deve ser retirado e tentada Existem vários tamanhos numerados de acordo com o a outra narina. NUNCA FORCE a passagem, seu diâmetro interno em milímetros e o comprimento pois pode causar hemorragia ou traumatismos; do tubo aumenta com o aumento do diâmetro. A • Após a colocação do tubo nasofaríngeo deve escolha do tubo é efetuada pelo seu diâmetro. Os ser confirmada de novo a permeabilidade da via tamanhos usados nos adultos são habitualmente 6-7 aérea, efetuando o VOS. mm, devendo ser sempre adequados ao diâmetro da narina. Deve ser avaliada a porção de tubo a introduzir, medindo a distância da asa do nariz ao ângulo da mandíbula. Usar o alfinete ou outro dispositivo proximal de segurança (que acompanha cada tubo) para marcar essa distância no tubo, prévia à inserção, de forma a evitar a introdução excessiva. A introdução do tubo pode causar hemorragia nasal e, se o tubo for demasiado longo, pode induzir vómito ou espasmo laríngeo. Figura 49: Tubo nasofaríngeo na posição correta Figura 47: Tubo nasofaríngeo Em contexto de manobras de PCR (utilizando máscara de bolso ou insuflador manual), o ajuvante mais indicado para manter a permeabilidade da via aérea é o TUBO OROFARÍNGEO. Figura 48: Medição do tubo nasofaríngeo (distancia da asa do nariz até ao ângulo da mandibula) SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 56 SECÇÃO 5 VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VIA AÉREA 4. ASPIRAÇÃO DE SECREÇÕES SECÇÃO 5 Aspiração de secreções VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VA 57 Nas situações de obstrução parcial da via aérea por notas: um fluido – vómito, sangue ou secreções, é necessário proceder à aspiração da cavidade bucal e da orofaringe, utilizando para tal um aspirador de secreções, de forma a manter a permeabilidade da via aérea. A aspiração da cavidade bucal pode ser feita com uma sonda rígida “tipo Yankauer” ou com uma sonda de aspiração de grande calibre, sobretudo nos casos em que é preciso aspirar conteúdo alimentar espesso. Para aspirar no interior do tubo orofaríngeo deve utilizar- se uma sonda de calibre apropriado, habitualmente de menor calibre que a utilizada para aspiração da cavidade bucal, de forma a permitir a sua manipulação no interior do tubo. É necessário ter em atenção que a sonda não deve ser introduzida profundamente, mas apenas o necessário para aspirar as secreções ou outros fluidos presentes na hipofaringe, de forma a manter a permeabilidade da via aérea. Introduzir a sonda profundamente terá como consequência a estimulação das zonas da faringe que condicionam o reflexo de vómito ou mesmo a indução de um espasmo laríngeo com o consequente agravamento da obstrução da via aérea. A aspiração de secreções deve ser feita de forma cuidada para não causar traumatismos da mucosa da cavidade oral ou da faringe. A sonda deve ser introduzida sem estar em aspiração e ser retirada em aspiração ativa efetuando movimentos circulares suaves. Os aspiradores de secreções permitem selecionar diferentes pressões de vácuo para utilização em adultos ou em crianças. Na Pediatria aspirar por períodos de 5 a 10 segundos, apenas o que se visualiza (não introduzir demasiadamente a sonda), não utilizando pressões superiores a 100 mmHg. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 58 SECÇÃO 5 VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VIA AÉREA 5. VENTILAÇÃO COM MÁSCARA DE BOLSO SECÇÃO 5 Ventilação com máscara de bolso VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VA 59 Uma máscara de bolso pode ser utilizada por leigos notas: com treino mínimo na realização de ventilações durante uma RCP. Este dispositivo adapta-se na face da vítima, sobre o nariz e boca e possui uma válvula unidirecional que desvia do reanimador o ar expirado da vítima. Um reanimador ÚNICO deve aproximar-se da vítima de lado. Isto irá permitir uma troca fácil entre ventilações e compressões torácicas. 1. Colocar a máscara sobre o nariz e boca da vítima (a parte mais estreita da máscara de bolso deverá ficar sobre o dorso do nariz; a parte mais larga da máscara deverá ficar a boca); 2. Colocar o polegar e o indicador na parte mais estreita da máscara; 3. Colocar o polegar da outra mão a meio da parte mais larga da máscara e usar os outros dedos para elevar o queixo da vítima, criando uma selagem hermética; 4. Soprar suavemente pela válvula unidirecional durante cerca de 1 segundo (por cada ventilação), por forma a que o tórax da vítima se eleve; 5. Retirar a boca da válvula da máscara após insuflar. Figura 47: Ventilação com máscara de bolso SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 60 SECÇÃO 5 VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VIA AÉREA 6. VENTILAÇÃO COM INSUFLADOR MANUAL SECÇÃO 5 Ventilação com insuflador manual VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VA 61 Para aplicar ventilações eficazes, o reanimador deve notas: ser capaz de realizar a manobra de extensão da cabeça e, então, pressionar a máscara contra a face da vítima, enquanto eleva o queixo. Quando possível, use a técnica com 2 reanimadores para abrir a VA, permitir uma selagem hermética que impeça a saída do ar entre a face e a máscara e aplicar ventilações eficazes, observando a elevação do tórax. INSUFLADOR MANUAL POR UM REANIMADOR 1. Posicione-se imediatamente atrás e acima da cabeça da vítima; 2. Colocar a máscara sobre a face da vítima, usando o dorso do nariz como guia para o correto posicionamento; 3. Use a técnica do dois “Cs” e dois “Es” para segurar a máscara em posição, enquanto eleva o queixo para manter a VA permeável: • Realize a extensão da cabeça; • Use o polegar e o indicador de uma mão, em redor da máscara, formando um “C” e pressionando os bordos da máscara contra a face da vítima; • Use os outros 3 dedos (o 3º, o 4º e o 5º) dessa mão, formando um “E” para elevar o ângulo da mandíbula/queixo; 4. Comprimir o insuflador manual para aplicar as ventilações (1 segundo cada), enquanto observa a elevação do tórax. INSUFLADOR MANUAL POR DOIS REANIMADORES Dois reanimadores podem aplicar ventilações mais Figura 48: Reanimação com eficazes que um reanimador. Quando 2 reanimadores dois reanimadores utilizam o insuflador manual, 1 reanimador mantem a VA permeável e segura a máscara contra a face da vítima (como descrito acima), enquanto o outro comprime o insuflador. Ambos os reanimadores devem observar a elevação do tórax. As técnicas para manter a máscara em posição são as mesmas utilizadas para o dispositivo “máscara de bolso”. Com a aplicação de ventilações muito rápidas ou com muita força, parte do ar irá para o estômago, causando assim complicações graves como a distensão gástrica e compromentendo a eficácia das compressões torácicas externas. A distensão gástrica pode provocar complicações graves como vómitos, aspiração e pneumonia. Para prevenir a distensão gástrica: • Leve 1 segundo para aplicar cada ventilação; • Forneça uma quantidade de ar suficiente para conseguir elevar o tórax da vítima. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 62 SECÇÃO 5 VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VIA AÉREA 7. CONSIDERAÇÕES SOBRE VIA AÉREA SECÇÃO 5 Considerações sobre Via Aérea VENTILAÇÃO COM ADJUVANTES DA VA 63 ADMINISTRAÇÃO notas: DE OXIGÉNIO Oxigénio (O2) suplementar pode ser administrado durante as manobras de SBV, quando se administram ventilações. Pode ser administrado através de máscara de bolso ou através de insuflador manual. Deve ser administrado O 2 o mais precocemente possível. O débito a administrar com insuflador manual deverá ser de 10-15 L/min (para tal utilizar insuflador manual com saco reservatório acoplado a fonte de oxigénio). Muitas máscaras de bolso possuem conexões especificas para se administrar oxigénio. VA AVANÇADA A frequência da compressão torácica em RCP deve ser de aproximadamente 100 compressões por minuto. Até que uma VA avançada (ex. máscara laríngea, tubo traqueal) esteja em posição, a relação compressão- ventilação, para profissionais de saúde, será de: • ADULTO 30:2; • PEDIATRIA 15:2. A relação compressão ventilação, para leigos será sempre de 30:2, quer para ADULTO ou PEDIATRIA. As compressões devem ter uma pausa para permitir a aplicação das 2 ventilações, a primeira exalação ocorre entre as 2 ventilações e a segunda durante a primeira compressão torácica do próximo ciclo de RCP. Se houver uma VA avançada em posição (ex. tubo endotraqueal ou tubo /máscara laríngea colocada por meios INEM SIV/SAV) durante uma RCP em vítima ADULTA, aplique a ventilação a uma frequência de 1 ventilação a cada 6 segundos (aproximadamente 10 ventilações por minuto), sem tentar sincronizar as ventilações e as compressões (se criança, ventilar com uma frequência de 12-20 por minuto). Não deve haver pausas nas compressões torácicas para aplicação de ventilações. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 64 SECÇÃO 6 DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA 65 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 66 SECÇÃO 6 DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA 1. OBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA SECÇÃO 6 Obstrução da Via Aérea DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA 67 O reconhecimento precoce da obstrução da via aérea notas: (OVA) é fundamental para o sucesso da evolução da situação de emergência. É importante distinguir esta situação de emergência do desmaio/síncope, do “ataque cardíaco” (enfarte agudo do miocárdio), das convulsões, da overdose por drogas e de outras condições que possam causar insuficiência respiratória súbita, mas que requerem um tratamento diferente. O reanimador (observador) treinado geralmente sabe detetar sinais de obstrução da VA. Podemos classificar a OVA quanto à gravidade: • LIGEIRA: vítima reativa, eventual ruído respiratório na inspiração, mantém trocas gasosas, mantém reflexo de tosse eficaz; • GRAVE: incapacidade de chorar (lactente), ruído agudo alto à inspiração ou ausência total de ruído, cianose, incapacidade de falar, agarra pescoço com as mãos (sinal universal de asfixia), incapacidade de movimentar o ar (trocas gasosas ineficazes ou ausentes), tosse ineficaz ou ausente. Figura 49: Sinal universal de asfixia Definição de "cianose": Coloração azulada ou violácea da pele, especialmente na face e nas extremidades, devida a deficiente oxigenação do sangue. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 68 SECÇÃO 6 DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA 2. ALGORITMO DE DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA: ADULTO E CRIANÇA (COM MAIS DE 1 ANO DE IDADE) SECÇÃO 6 Algoritmo de desobstrução da VA: DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA Adulto e criança (>1 ano de idade) 69 ALGORITMO DE DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA: notas: ADULTO E CRIANÇA (COM >1 ANO DE IDADE) (A ação do reanimador está descrita nos quadros em azul) GRAVIDADE OVA GRAVE OVA LIGEIRA TOSSE INEFICAZ TOSSE EFICAZ INCONSCIENTE CONSCIENTE Encorajar a TOSSE Ligar 112 Até 5 pancadas Vigiar inter-escapulares alterando com Iniciar RCP até 5 compressões abdominais (manobras de Heimlich) Figura 50: Algoritmo OVA PANCADAS COMPRESSÕES ABDOMINAIS INTER-ESCAPULARES Com vítima de pé ou sentada 1. Fique por trás da vítima e circunde o abdómen 1. Coloque-se ao lado e ligeiramente por detrás da vítima com os seus braços; da vítima, com uma das pernas encostadas de 2. Feche o punho de uma mão; modo a ter apoio; 3. Posicione o punho acima da cicatriz umbilical, com 2. Passe o braço por baixo da axila da vítima o polegar voltado contra o abdómen da vítima; e suporte-a a nível do tórax com uma mão, 4. Sobreponha a 2ª mão à já aplicada; mantendo-a inclinada para a frente, numa posição 5. Aplicar uma compressão rápida para dentro e tal que se algum objeto for deslocado com as para cima; pancadas possa sair livremente pela boca; 6. Repita as compressões até que o objeto seja 3. Aplique até 5 pancadas com a base da outra expelido da VA; mão, na parte superior das costas, ao meio, entre 7. Aplique cada nova compressão (até 5) como um as omoplatas, isto é, na região inter-escapular; movimento separado e distinto. 4. Cada pancada deverá ser efetuada com a força adequada tendo como objetivo resolver a obstrução; 5. Após cada pancada deve verificar se a obstrução foi ou não resolvida, aplicando até 5 pancadas no total. Aplique cada compressão individual com a intenção de resolver a OVA. Pode ser preciso repetir a compressão várias vezes para eliminar a OVA. As compressões abdominais podem causar complicações, como lesões de órgãos internos. Uma vítima que tenha recebido compressões abdominais deve ser examinada por um médico para exclusão de quaisquer complicações. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 70 SECÇÃO 6 DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA 3. ALGORITMO DE DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA no LACTENTE SECÇÃO 6 Algoritmo de desobstrução da VA DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA no Lactente 71 ALGORITMO DE DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA notas: no LACTENTE (A ação do reanimador está descrita nos quadros em azul) GRAVIDADE OVA GRAVE OVA LIGEIRA TOSSE INEFICAZ TOSSE EFICAZ INCONSCIENTE REATIVO Encorajar a TOSSE Ligar 112 Até 5 pancadas Vigiar inter-escapulares Iniciar RCP alterando com até 5 compressões torácicas Figura 51: Algoritmo de OVA, no lactente DESOBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA (LACTENTE REATIVO) 1. Ajoelhe-se ou sente-se com lactente ao colo; 2. Descubra o tórax do lactente; 3. Segure o lactente de barriga para baixo com a cabeça levemente mais baixa do que o tórax, apoiada no seu antebraço (apoiado sobre a sua Figura 52: coxa ou colo, para dar suporte). Apoie a cabeça Pancads inter-escapulares e a mandíbula do lactente com a sua mão (com cuidado para não comprimir tecidos moles do pescoço); 4. Aplique até 5 pancadas inter-escapulares com a base da mão (figura 50); 5. Após aplicar as 5 pancadas inter-escapulares, Figura 53: posicione a outra mão nas costas do lactente e Lactente posicionado apoie a região posterior da cabeça com a palma entre os dois antebraços da mão. O lactente ficará assim posicionado entre os 2 antebraços (figura 51); 6. Gire o lactente, apoiando cuidadosamente a cabeça e pescoço. Segure-o de costas. Repouse o seu antebraço sobre a sua coxa/colo e mantenha Figura 54: a cabeça do lactente mais baixa do que o tronco Mantenha a cabeça do (figura 52); lactente mais baixa do que 7. Aplique até 5 compressões torácicas rápidas o tronco (local, frequência e profundidade de compressão idênticas às realizadas quando em SBV). O objetivo é provocar uma “tosse artificial” capaz de deslocar o corpo estranho; (figura 53); 8. Alternar pancadas-compressões até que objeto seja removido ou lactente fique não reativo (inconsciente). Se vítima inconsciente ligar 112 Figura 55: e iniciar manobras de SBV. Compressões torácicas SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 72 SECÇÃO 7 CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS 73 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 74 SECÇÃO 7 CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS 1. POSIÇÃO LATERAL DE SEGURANÇA SECÇÃO 7 Posição lateral de segurança CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS 75 Se ao abordar a vítima ela: • Responde: deixe-a como encontrou, procure Levantar a perna do lado oposto notas: Com a outra mão levantar a perna do lado oposto acima quaisquer problemas, reavalie-a regularmente; do joelho dobrando-a, deixando o pé pousado no chão. • Está inconsciente mas respira normalmente, coloque-a na posição lateral de segurança (PLS). A PLS mantém a permeabilidade da VA numa vítima inconsciente que respira normalmente. Previne que a queda da língua obstrua a VA e permite a drenagem de fluidos pela boca. TÉCNICA PARA COLOCAR UMA VÍTIMA EM PLS Figura 58 Ajoelhar-se ao lado da vítima • Remover corpos estranhos do corpo da vítima, Rolar a vítima que ao posicionar a vítima possam eventualmente • Enquanto uma mão apoia a cabeça a outra puxa causar lesões (ex: óculos, canetas); a perna do lado oposto rolando a vítima para o • Assegurar de que as pernas da vítima estão seu lado; estendidas; • Estabilizar a perna para que a anca e joelho • Colocar o braço mais perto (do seu lado) em formem ângulos retos; ângulo reto com o corpo, e com o cotovelo dobrado • Efetuar a inclinação da cabeça para trás e a palma da mão virada para cima. assegurando a permeabilidade da VA; • Ajustar a mão debaixo do queixo, para manter a extensão; • Reavaliar regularmente a respiração (na dúvida desfazer a PLS, permeabilizar a VA e efetuar VOS até 10 segundos). Figura 56 Figura 59 Segurar o braço mais afastado Segure o outro braço (mais afastado) cruzando o tórax e fixe o dorso dessa mão na face do seu lado Se a vítima tiver que permanecer em PLS por um longo período de tempo, recomenda-se que ao fim de 30 minutos seja colocada sobre o lado oposto, para diminuir o risco de lesões resultantes da compressão sobre o ombro. A PLS é contraindicada se trauma ou supeita de trauma: nestes casos, a mobilização da vítima deve ser efetuada apenas se não puder manter a VA permeável, se o local não for Figura 57 seguro ou se não conseguir realizar SBV na vítima. Nesses casos, é necessário proteger a coluna da vítima para rodar o seu corpo. SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 76 SECÇÃO 7 CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS 2. RISCOS PARA O REANIMADOR SECÇÃO 7 Riscos para o reanimador CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS 77 Por vezes, o desejo de ajudar alguém que nos parece dispositivo com válvula unidireccional, para não expor notas: estar em perigo de vida pode levar a ignorar os riscos o reanimador ao ar expirado da vítima. Nunca efetuar inerentes à situação. Se não forem garantidas as ventilação boca-a-boca. condições de segurança antes de se abordar uma vítima poderá, em casos extremos, ocorrer a morte da vítima e do reanimador. Transmissão de doenças A possibilidade de transmissão de doenças durante as Antes de se aproximar de alguém que possa manobras de reanimação é real. Estão descritos alguns eventualmente estar em perigo de vida, o reanimador casos de transmissão de infecções durante a realização deve assegurar primeiro que não irá correr nenhum de ventilação boca-a-boca (nomeadamente casos de risco: tuberculose cutânea, meningite meningocócica, herpes • Ambiental (ex. choque elétrico, derrocadas, simplex e salmonelose). No entanto, nem um único explosão, tráfego); caso de de Hepatite B ou vírus da imunodeficiência • Toxicológico (ex. exposição a gás, fumo, tóxicos); humana (VIH) foi registado/declarado como resultado • Infeccioso (ex. tuberculose, hepatite). da realização de manobras de SBV. O risco aumenta se houver contato de sangue infetado Acidente de viação ou com uma superfície cutânea com soluções de Se pára numa estrada para socorrer alguém, vítima continuidade (feridas). Durante a reanimação tente de um acidente de viação deve: evitar o contacto com sangue ou outros fluidos • Posicionar o seu carro para que este o proteja corporais como: secreções respiratórias, secreções funcionando como escudo, isto é, antes do nasais, suor, lágrimas, vómito, outros. O dispositivo acidente no sentido em que este ocorreu; “barreira” mais utilizado é a máscara facial (máscara • Sinalizar o local com triângulo de sinalização à de bolso e/ou insuflador manual). distância adequada; • Ligar as luzes de presença ou emergência; • Usar roupa clara para que possa mais facilmente identificado; • Desligar o motor para diminuir a probabilidade de incêndio. Produtos químicos ou Existe uma regra básica que nunca deve ser esquecida: o reanimador não deve expor-se matérias perigosas a si, nem a terceiros, a riscos que possam No caso de detetar a presença desses produtos e/ou comprometer a sua integridade física. matéria é fundamental evitar o contacto com essas substâncias sem medidas de proteção universais (ex. luvas, máscara) e não inalar vapores libertados pelos mesmos. Intoxicações Nas situações em que a vítima sofre uma intoxicação podem existir riscos acrescidos para quem socorre, nomeadamente no caso de intoxicação por fumos ou gases tóxicos (como os cianetos ou o ácido sulfúrico). Para o socorro da vítima de intoxicação é importante identificar o produto bem como a sua forma de apresentação (em pó, líquida ou gasosa) e contactar o CODU/CIAV para uma informação especializada, nomeadamente sobre possíveis antídotos. Em caso de intoxicação por produtos gasosos é fundamental não se expor aos vapores libertados, que nunca devem ser inalados. O local onde a vítima se encontra deverá ser arejado ou, na impossibilidade de o conseguir, a vítima deverá ser retirada do local. Nas situações em que o tóxico é corrosivo (ácidos ou bases fortes) ou em que pode ser absorvido pela pele, como os organofosforados (ex. 605 Forte®), é mandatório, além de arejar o local, usar luvas e roupa de proteção para evitar qualquer contato com o produto, bem como máscaras para evitar a inalação. Se houver necessidade de ventilar a vítima com ar expirado deverá ser sempre usada máscara ou outro SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 78 SECÇÃO 7 CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS 3. FOLHA DE REGISTO NACIONAL DE PCR, PRÉ-HOSPITALAR (RNPCR-PH) SECÇÃO 7 Folha de RNPCR-PH CONSIDERAÇÕES ESPECIAIS 79 Figura 60: RNPCR-PH (vista de frente) Documento sujeito a revisões/alterações por parte do INEM SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 80 SECÇÃO 8 SIGLAS E BIBLIOGRAFIA 81 SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 82 SECÇÃO 8 SIGLAS SECÇÃO 8 SIGLAS E BIBLIOGRAFIA 83 CDI Cardioversor desfibrilhador implantado DAE Desfibrilhação Automática Externa FV Fibrilhação Ventricular ILCOR International Liaison Committee on Ressuscitation INEM Instituto Nacional de Emergência Médica O2 Oxigénio OVA Obstrução da Via Aérea PCR Paragem Cardiorrespiratória PLS Posição Lateral de Segurança RCP Reanimação Cardio-Pulmonar RNPCR-PH Registo Nacional de Paragem Cardiorrespiratória, Pré-Hospitalar SAV Suporte Avançado de Vida SBV Suporte Básico de Vida SBVD Suporte Básico de Vida com desfibrilhador automático externo SIEM Sistema Integrado de Emergência Médica SIV Suporte Imediato de Vida VA Via aérea VOS Ver, Ouvir e Sentir SUPORTE BÁSICO DE VIDA DESFIBRILHAÇÃO AUTOMÁTICA EXTERNA 84 SECÇÃO 8 BIBLIOGRAFIA SECÇÃO 8 SIGLAS E BIBLIOGRAFIA 85 Cummins RO. From concept to standard-of-care? Review of the clinical experience with automated external defibrillators. Ann Emerg Med 1989;18:1269–1275 European Resuscitation Council Guidelines for Resuscitation 2010 Manual do curso de Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática Externa, European Resuscitation Council, Conselho Português de Ressuscitação, 1ª edição, 2011 Manual de Suporte Imediato de Vida Pediátrico Europeu, European Ressuscitation Council, Conselho Português de Ressuscitação, 2ª edição, 2011 Manual de Suporte Básico de Vida para profissionais de saúde (versão brasileira), American Heart Association, 2011 IMAGENS (obtidas de diversas fontes): • Algumas imagens presentes neste manual foram retiradas de páginas eletrónicas de acesso livre, sendo, por este facto, díficil reconhecer a sua autoria. Neste sentido, o INEM encontra-se disponível, através do contato
[email protected], para em futuras re-edições fazer o devido crédito de autor, ou retirar as mesmas, caso seja solicitado; • Imagens do European Resuscitation Council; • Fotografia (INEM); • Programa Nacional de Desfibrilhação Automática Externa (INEM); • Desenho dos autores/colaboradores; • APLICATIVO iOS (iPhone): WordFoto, Version 1.0.2., 2011 bitCycle (www.bitcycle.com SBVD Suporte Básico de Vida com Desfibrilhação Automática Externa ISBN 978-989-8646-07-1 Versão 3.0 1ª Edição, 2012 9 789898 646071