Papers by Sidney C. de Lima
Praesentia
, Jan 12, 2015
O êthos de Torquato e a refutação da ética de Epicuro no De finibus de Cícero (Torquatus' êthos a...
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O êthos de Torquato e a refutação da ética de Epicuro no De finibus de Cícero (Torquatus' êthos and the refutation of the ethics of Epicurus in Cicero's De finibus
Valente fundamenta-se, sem dúvida, na leitura da correspondência de Cícero e das declarações sobr...
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Valente fundamenta-se, sem dúvida, na leitura da correspondência de Cícero e das declarações sobre seus propósitos, oferecidas, vez por outra, em suas obms. Todavia, mesmo com evidências acerca de seus projetos filosóficos, consideramos precipitado traçar, a partir delas, o temperamento do autor. Talvez todo problema esteja no termo utilizado pelo estudioso. 13 Socrates, qui parens philosophiae iure dici potest (De finibus Il, 1). 2! em geral" 14 • Ao que parece, é o fato de ter trazido a filosofia, que antes se preocupava apenas com as questões naturais, questões às quais os homens têm dificil acesso, para o campo da ação das pessoas no dia-a-dia de suas vidas, que garantiria tal título a Sócrates. Se nossa interpretação estiver correta, toma-se evidente a importância que o autor do De finibus atribui à parte moral da filosofia. O mesmo podemos apreender a partir do célebre elogio endereçado à filosofia no livro V das Tusculanae: "Ó f!losofta, guia da vida, ó perseguidora da virtude, exterminadora dos vícios! O que poderíamos ter sido, sem ti, não apenas nós, mas, de modo geral, a vida dos homens? Tu geraste as cidades, tu chamaste os homens dispersos para a vida em sociedade, tu os reuniste entre si pelos domicilios, primeiramente, depois, pelos matrimônios, e então, pela comunidade de letras e línguas, tu foste a inventora das leis, tu, a mestra dos costumes e dos priucípios 15. Junto de ti nos refugiamos, a ti pedimos auxilio, a ti nós, assim como antes: em grande parte, agora total e completamente nos entregamos. Ora, um só dia bem vivido e segundo teus preceitos é preferivel a uma imortalidade de mau proceder" 16 Tudo o que se atribui nessa passagem à filosofta, e pelo que ela é tida em tão alta estima, diz respeito à vida 14 Socrates mihi uidetur, id quod constat inter omnes, primus a rebus occultis et ab ipsa natura tnuolutis, in quibus omnes ante eum philosophi occupatifoenmt, auocauisse philosophiam et ad uitam communem adduxisse, ut de uirtutibus et uitiis omninoque de bonis rebus et malis quaereret (Academtca I, 15). " Valente traduz disciplina por "Civilização". Já King, tradutor do texro na edição Loeb, traduz o tenno por • a r d e r ". Com efeito, o substantivo disciplina, da mesma raiz que disco, diz respeito a tudo o que é ensinado, daí a amplitude de significados que pode expressar, dentre os quais o de "organização política", "ordem, organização de governo", por serem estas coisas preservadas pelo ensino, por assim dizer, de geração a geração. Neste contexto, entretanto, por conta da coordenação sintática com morum, somos levados a pensar que aqui se trata de ensinamentos que têm que ver com os costumes, com o proceder dos homens em suas vidas e com o modo como tais coisas são transmitidas de um a outro. Nossa interpretação é corroborada por outras passagens da obra de Cícero, como esta do pro rege Detotaro, 28: aui mores dtsciplinamque tmitari, isto é: "imitar o proceder e os princípios do avô". Além do mais, pensamos que pode haver uma hendíade em magtstra morom et disciplinae, de modo que poderíamos até traduzir o trecho por "mestra dos princípios dos costumes". Mantivemos, contudo, a hendíade também em português. deixando ao leitor optar por urna interpretação. 16 O uitae philosophia dux, o uinutis indagatrix expultrixque uitiorom.l Quid non modo nos, sed omnino uita hominum sine te esse potuisset? Tu urbis peperisti, tu dissipatos homines in societatem uitae conuocasti, tu eos inter se primo domicíliis, deinde contugtis, tu litterarom et uocum communione iunxtsti, tu tnuentrix legum, tu magistra mo rum et disciplinae fuisti: ad te confugimus, a te opem petimus, tibí nos, ut antea magna ex parte, sic 22 das pessoas, aos vícios e às virtudes, às formas de proceder, à orgarúzação da vida humana em sociedade, em cidades regidas por leis; tudo, enfnn, refere-se à parte moral da filosofia, justamente a parte que trata dos mores das pessoas, isto é, os modos de proceder, os comportamentos na vida cotidiana 17. É evidente, pelas referências ao pensamento socrático feitas pelo próprio Cícero, que essa elevação da moral à parte maís ímportante da filosofia não é invenção do pensador romano, é antes urna criação de Sócrates (o que se toma claro pelo epíteto parens phi/osophiae) que será seguida por muitos dos filósofos posteriores, quer os que descendem diretamente dele, como os acadêmicos, quer os que foram de alguma forma influenciados pelo pensamento acadêmico. Contudo, devemos deixar claro que essa prioridade dada à ética, ou moral, não exclui, de maneira alguma, as outras duas partes da filosofia. Basta ler a passagem 66 do Orator (apenas como um exemplo, dentre outros) para perceber o quão importante são a lógica e a fisica para a formação do orador, ou, em outras palavras, para a formação do homem público: "Nem, de fato, sem os ensinamentos dos filósofos podemos distinguir o gênero e a espécie de cada coisa, nem, por uma definição, explicitá-la, nem dividi-la em partes, nem decidir quais são verdadeiras e quais são falsas, nem perceber os conseqüentes, ver as contradições, distinguir as ambigüidades. E que dizer da natureza das coisas [ou fisica], cujo conhecimento fornece grande copiosidade ao discurso, e da vida, dos deveres, da virtude, do proceder nunc penitus totosque tradimus. Est autem unus dies bene et praeceptis tuis actus peccanti inmortalitati anteponendus (Tusculanae V, 5). 17 Se a fonna plural mores pode ser traduzida por "caráter', isso se dá precisamente porque aquilo que chamamos de caráter se revela a partir das ações praticadas por nós. 41 Cf The composítion ofthe Academicamotives and versíons de M. Griffin (1997) e a introdução de H. Rackham ao texto da Academíca na edição l..
, Jul 2, 2020
O primeiro diálogo do De finibus de Cícero é dedicado à discussão do pensamento moral de Epicuro....
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O primeiro diálogo do De finibus de Cícero é dedicado à discussão do pensamento moral de Epicuro. As personagens principais são Torquato e Cícero. No livro I, o discurso de Torquato expõe a teoria do prazer. Cícero refuta seu interlocutor no livro II. Um ponto importante da discussão diz respeito à fundamentação da amizade. Apresentamos aqui uma tradução em português de trechos, tomados dos discursos das duas personagens mencionadas, que constituem a controvérsia sobre a noção epicurista de amizade: Fin. I, 65-70; II, 78-85. A tradução é acompanhada de uma breve introdução e de notas explicativas.
Imprensa da Universidade de Coimbra eBooks
, 2019
A navegação consulta e descarregamento dos títulos inseridos nas Bibliotecas Digitais UC Digitali...
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A navegação consulta e descarregamento dos títulos inseridos nas Bibliotecas Digitais UC Digitalis, UC Pombalina e UC Impactum, pressupõem a aceitação plena e sem reservas dos Termos e Condições de Uso destas Bibliotecas Digitais, disponíveis em
. Conforme exposto nos referidos Termos e Condições de Uso, o descarregamento de títulos de acesso restrito requer uma licença válida de autorização devendo o utilizador aceder ao(s) documento(s) a partir de um endereço de IP da instituição detentora da supramencionada licença. Ao utilizador é apenas permitido o descarregamento para uso pessoal, pelo que o emprego do(s) título(s) descarregado(s) para outro fim, designadamente comercial, carece de autorização do respetivo autor ou editor da obra. Na medida em que todas as obras da UC Digitalis se encontram protegidas pelo Código do Direito de Autor e Direitos Conexos e demais legislação aplicável, toda a cópia, parcial ou total, deste documento, nos casos em que é legalmente admitida, deverá conter ou fazer-se acompanhar por este aviso. Cícero em Atenas: a Academia em cena no livro V do De finibus bonorum et malorum
Translation of Cicero, Fin. I, 65-70; II, 78-85 – The disputatio de amicitia in the De finibus
DOAJ (DOAJ: Directory of Open Access Journals)
, Jul 1, 2020
The first dialogue of Cicero's De finibus is dedicated to the discussion of Epicurus' mor...
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The first dialogue of Cicero's De finibus is dedicated to the discussion of Epicurus' moral thought. The main characters are Torquatus and Cicero. In the first book, Torquatus' speech exposes the theory of pleasure. Cicero refutes his interlocutor in book II. An important point in the discussion concerns the foundation of friendship. Here we present a Portuguese translation of excerpts, taken from the speeches of the two characters mentioned, that constitute the controversy about the Epicurean notion of friendship: Fin. I, 65-70; II, 78-85. The translation is accompanied by a brief introduction and explanatory notes.
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Linguística. Resumo Os cinco livros do De...
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Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Linguística. Resumo Os cinco livros do De finibus bonorum et malorum de Cícero, obra publicada em 45 a.C., constituem três diálogos em que são discutidas as doutrinas morais de três escolas filosóficas da época helenística. O primeiro diálogo trata do pensamento de Epicuro; no segundo, discute-se o pensamento dos estóicos; o terceiro, por fim, contempla a filosofia moral de Antíoco, pensador grego contemporâneo de Cícero cujo nome está ligado à Academia. No presente trabalho, nós apresentamos a tradução dessa obra em Português acompanhada de notas explicativas que tratam de alguns aspectos dramáticos, históricos, culturais e filosóficos que nos pareceram pertinentes a uma boa compreensão das discussões que são representadas em cada um dos diálogos. Para introduzir o texto da tradução, nós apresentamos um estudo, que se divide em dois capítulos. No primeiro capítulo, nós nos propomos investigar o gênero literário a que pertence o De finibus, isto é, o diálogo filosófico, dando uma especial atenção a seu estatuto mimético e às relações que esse gênero mantém com outras formas de discurso que foram cultivadas na Antigüidade. No segundo capítulo, foi nosso objetivo analisar o caso específico do De finibus. Dessa forma, nós estudamos a maneira como o autor unifica os três diálogos sob a forma de um tratado e analisamos as relações que existem entre o gênero dialógico e o método de investigação que consiste em in utramque partem dicere com vistas a descobrir aquilo que é mais probabile no que diz respeito a uma quaestio. Por fim, nós examinamos a composição mimética dos diálogos particulares para propor algumas interpretações a respeito da maneira como a utilização das diferentes cenas e das personagens e também a organização da obra sob a forma de um tratado puderam servir à argumentação do autor. In memoriam patris 9 Agradecimentos À minha família. Em especial a Lurdes, mãe querida, a meu irmão, Erick, aos sobrinhos Heloísa e André e ao tio Lotinha.
Classica - Revista Brasileira de Estudos Clássicos
, 2015
Ambientado em uma vasta biblioteca, situada numa uilla recentemente herdada por um jovem aristo...
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Ambientado em uma vasta biblioteca, situada numa uilla recentemente herdada por um jovem aristocrata romano, o segundo diálogo do De finibus de Cícero (livros III e IV) comporta a tarefa de discutir em latim o pensamento moral dos antigos estoicos. No início da discussão, Cícero e Catão, o jovem, as personagens em cena, refletem sobre as estratégias que podem empregar para traduzir para o latim os conceitos forjados em grego por Zenão e Crisipo. Nosso objetivo é investigar o modo como a defesa de certo tipo de tradução filosófica, apresentada no início do livro III, pode servir à refutação da moral estoica empreendida pela personagem Cícero ao longo do livro IV, uma vez que se ajusta ao projeto filosófico do autor, que tem como meta a formação dos homens públicos romanos.
Praesentia
, Jan 12, 2015
O êthos de Torquato e a refutação da ética de Epicuro no De finibus de Cícero (Torquatus' êthos a...
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O êthos de Torquato e a refutação da ética de Epicuro no De finibus de Cícero (Torquatus' êthos and the refutation of the ethics of Epicurus in Cicero's De finibus
Nuntius Antiquus
, 2010
Dans les préambules de quelques unes de ses oeuvres philosophiques, surtout de celles publiées à ...
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Dans les préambules de quelques unes de ses oeuvres philosophiques, surtout de celles publiées à partir de 45 avant J.C., Cicéron justifie son activité d'écrivain de philosophie en latin en caractérisant son travail comme un munus rei publicae. Dans ce texte, nous proposons que ce genre d'argumentation n'est pas seulement une stratégie rhétorique qui aurait en vue tout simplement la sympathie des lecteurs romains; il s'agit aussi d'une déclaration d'un grand projet d'éducation philosophique des hommes publiques romains, plusieurs fois évoqué dans l'oeuvre cicéronienne et qui se trouve en parfaite harmonie avec les aspects les plus profonds de la pensée de cet auteur. MOTS-CLÉS: Cicéron; philosophie; philosophie hélénistique; philosophie en latin; littérature latine.
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